Uma nova Agenda RH 2020

Há poucas semanas o CEE de uma grande empresa “desabafava” comigo dizendo que, se pudesse, trocaria toda a sua atual equipa de RH. Questionei porque o faria, ao que me respondeu: “Estão agarrados aos processos, virados para si próprios, distantes das equipas, nada digitais. E depois não consigo que produzam informação que me seja relevante e atempada, para as decisões de negócio que tenho de tomar”.

Um outro CEO e noutra indústria distinta comentou recentemente comigo que, para a transformação que está a introduzir na sua empresa, as duas funções vitais nesta fase são o CTO (Chief Transformation Officer) e o CHRO (Chief Human Resources Officer), e que estes dois postos estavam a ser os seus braços direitos no processo de mudança em curso.

Estes dois episódios ilustram claramente o valor que os CEO estão a atribuir às áreas de RH, estando alinhados no seu posicionamento: querem uma direção de RH mais focada na gestão da mudança, mais próxima das pessoas, mais analítica, contribuinte mais direto para os resultados.

Nesta altura do ano, sempre leio os artigos que saem pelo mundo com as tendências em RH para o novo ano. Este ano, reforçam-se algumas de anos anteriores e surgem algumas novidades:

        • RH vai ser mais holístico, capaz de combinar uma postura estratégica com assegurar as necessidades operacionais, integrando todos os stakeholders no seu espetro de atuação; vai ter de saber corresponder às necessidades do management, dos colaboradores, mas também perceber os clientes e o ecossistema externo que envolve a empresa;
        • RH vai focar-se menos nos processos e mais nos analytics não só para o management, mas também para os colaboradores; RH é detentor de um manancial de informação que pode “rentabilizar” de forma exponencial, se a souber tratar, com um “ERM” potente;
        • RH vai ter um papel fundamental na gestão da diversidade, fazendo da empresa o espelho dos clientes e do mercado (favorecendo a integração de perfis distintos, criando líderes inclusivos, experimentando novas formas de organizar os tempos e as condições de trabalho, etc.);
        • RH vai colocar o foco na produtividade, favorecendo o desenvolvimento das equipas de alto rendimento, os mecanismos de apreciação contínua dos desempenhos e os instrumentos de reconhecimento do mérito de maior impacto e menor custo;
        • RH terá de trazer para si tudo o que a tecnologia hoje já disponibiliza, para se tornar mais digital, mais automatizada, em tudo o que são processos.

Recordando os dois episódios com os CEO, estou certa de que ambos se reveem nestas tendências. Porque sentem no seu dia-a-dia que estas são as suas necessidades.

E será que os gestores RH atuais se sentem preparados para este novo posicionamento?  Eu diria que quanto mais depressa colocarmos as máquinas a assegurar os processos em RH, mais depressa ganhamos tempo e foco para “subir o degrau” que nos estão a exigir.

Depois, temos de nos preparar para esta nova era. E como diz o ditado, “se queremos ir depressa, vamos sozinhos, mas se queremos ir longe, é melhor levar companhia”. Discutir toda esta conjuntura, que competências novas tenho de desenvolver enquanto gestor RH, em que temas devo ocupar o meu tempo, como conhecer as “dores” do CEO e contribuir para resolver algumas, como facilitar a vida dos nossos colaboradores disponibilizando-lhes informação útil e mecanismos de relação ágeis, são tudo temas que deverão compor a nova Agenda RH nas empresas em 2020.

E atenção que não há que perder tempo! Janeiro já está quase no fim!!!

Por: Isabel Viegas, Human Resources advisor

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