Três medidas que ajudam a responder à pergunta “Are we going together?”


Manuel Sousa Antunes, presidente da Associação Pessoas@2020, nesta entrevista, fala-nos do que tem feito esta associação e quais são os seus desafios para o futuro. Além disso, como parceira institucional da Leadership Summit Portugal, propõe três medidas que ajudam a responder à grande pergunta da cimeira: Are we going together?

Ao fim de três anos enquanto parceira institucional da Leadership Summit Portugal, o que significa para o Pessoas@2020 continuar a renovar o seu apoio a um evento deste género no nosso país?

Manuel Sousa Antunes (MSA): Manter o apoio à Leadership Summit Portugal significa confiança e satisfação mútua, bem como alinhamento entre o plano estratégico da Associação para o quadriénio 2017-2020 e a visão, missão e valores da Tema Central, entidade organizadora. Depois, traduz o nosso reconhecimento relativamente à qualidade da organização, respetivos temas e oradores/palestrantes/dinamizadores/parceiros. Finalmente, e não menos importante, por tudo o exposto atrás, o facto do evento proporcionar reflexão, diversidade, aprendizagem, partilha de boas práticas, disrupção e networking aos nossos membros.

Estando a um ano de 2020, qual é o balanço que faz do caminho feito até aqui na importância do desenvolvimento de pessoas?

MSA: Em 2017, o Pessoas@2020 solicitou aos profissionais portugueses que se pronunciassem sobre a gestão de pessoas no nosso país. 846 respostas permitiram-nos elaborar um estudo científico, através do qual diagnosticámos os dez principais desafios da área em Portugal. Estes foram, depois, trabalhados por dezenas de especialistas e transformados em prioridades de atuação para as quais estabelecemos planos de ação. Denominámos o documento final de Quadro Estratégico para a Gestão de Pessoas 2020 (QEGP-2020). Algo único no plano nacional, porque pela primeira vez foi estruturado estrategicamente o desenvolvimento de pessoas em contexto organizacional com o fortíssimo contributo da sociedade civil. Tudo foi pensado e estruturado no sentido do QEGP-2020 possuir uma ação prática no terreno e não se ficar por mais um amontoado de intenções refundido, a partir de determinada altura, em ficheiros informáticos de um qualquer computador. Mas a operacionalização cabia e cabe às organizações e aos profissionais. Algo foi alcançado, mas muito está por fazer. Isto porque, na hora da verdade, continuamos a individualizar e a “irmos muito pouco juntos”.


Olhando para lá de 2020, quais são os obstáculos e oportunidades que identifica para o desenvolvimento das pessoas e a sua gestão?

MSA: Os obstáculos serão, à partida, e cingindo-nos a Portugal, os de sempre, ou seja, um tecido empresarial constituído maioritariamente por micro e pequenas empresas, que – umas vezes por falta de visão, mas na maior parte dos casos por incapacidade económico-financeira e/ou impreparação dos seus dirigentes – apresenta dificuldades em formar, desenvolver, motivar, envolver e valorizar as suas pessoas. Depois, vemos a demografia como uma condicionante, que, entre outras, resulta em grande escassez de mão-de-obra. Esta dificuldade, por sua vez, não é agilizada através da criação de mecanismos céleres e eficazes de adequação entre as necessidades empresariais e os conteúdos disponibilizados pelo ensino, de reinserção no mercado de profissionais acima dos 45-50 anos, de incentivo ao alargamento da vida profissional ativa, de entrada de cidadãos extracomunitários para efeitos laborais, entre outros.
As oportunidades, por sua vez, resultam do colmatar das lacunas acima descritas, bem como da chegada massiva, ao nosso país, de empresas e profissionais oriundos de diferentes partes do mundo, cuja diversidade deverá permitir ponderarmos diferentes formas de fazer, organizar e gerir. Embora sendo um déjà vu, a evolução tecnológica deve, também, ser aproveitada para garantir mais eficácia e eficiência organizacional, libertando os decisores para a estratégia e a gestão de pessoas, assim como os colaboradores para a aprendizagem ao longo da vida e a compatibilização entre profissão/individualidade/família.

E como responderia a Associação à grande questão da cimeira: Are we going together?

MSA: Conforme referido atrás, não estamos a ir juntos. Neste particular, propomos três medidas para reduzir as “assimetrias” organizacionais:

        • Desenvolver decisores para a liderança, fazendo com que as organizações portuguesas passem a contar com “menos chefes e mais líderes”;
        • Sensibilizar os decisores para a influência direta de uma eficaz gestão de pessoas nos resultados financeiros das organizações – compatibilização entre a sustentabilidade dos negócios e uma correta administração dos correspondentes colaboradores;
        • Colocar as pessoas em contexto organizacional no topo da agenda dos decisores empresariais, políticos, económicos e académicos em Portugal.

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