Tecnologia versus Humanidade – O confronto futuro entre a Máquina e o Homem

Por: Catarina G. Barosa, diretora editorial

Esta é talvez uma das questões mais debatidas nos dias de hoje. Nunca se falou tanto nesta relação, mais recentemente de uma forma mais intensa, tendo em conta aquilo que a história já nos ensinou. É através dos registos históricos que nos apercebemos do tempo e da sua velocidade. De acordo com o que nos diz Yuval Noah Harari: “Três importantes revoluções moldaram o curso da história: a Revolução Cognitiva, deu-lhe início há cerca de 70 000 anos. A Revolução Agrícola acelerou-a há cerca de 12 000 anos. E a Revolução Industrial, iniciada há apenas 500 anos, pode muito bem pôr um fim à história e dar início a algo diferente.” (do livro Sapiens, De Animais a Deuses – História Breve da Humanidade).
Se olharmos para a linha do tempo, percebemos que alguma coisa está a acontecer rápido demais e, por isso, são inúmeros os contributos de especialistas em diversas áreas do conhecimento que nos ajudam a pensar como será afinal o futuro?
Gerd Leonhard é um futurólogo alemão, estudou Teologia e Ciências Sociais, foi também músico rock, compositor e ativista dos Verdes. Tem várias obras futuristas publicadas, entre elas, The Future of Music, Music 2.0 e The Future Of Content. O seu mais recente livro chama-se Tecnologia versus Humanidade e faz uma incursão no futuro. Conforme nos refere o próprio: “penso que o próximo confronto entre o Homem e a máquina será intensificado e exponenciado através dos efeitos combinatórios de dez grandes mudanças”.
Gerd elenca as dez grandes mudanças: digitalização, mobilização, ecranização, desintermediação, transformação, inteligização, automação, virtualização, antecipação e robotização.
A leitura desta obra desperta-nos para o futuro numa perspetiva responsável e interventiva, aliás, o autor está ciente de que apesar da tecnologia não ter qualquer ética, a Humanidade precisa de a ter. Por essa razão, num dos seus capítulos, Gerd fala-nos sobre as implicações éticas, ainda desconhecidas, que esta evolução exponencial tecnológica pode trazer consigo. Sugere-nos que seja criado um Conselho de Ética Digital Global com o objetivo de definir a ética adequada à era exponencial, desenvolvendo uma espécie de tratado global sobre direitos humanos exponenciais. Seria então necessário analisar todas as consequências “indesejadas das tecnologias exponenciais e evitar danos para a Humanidade… O fator humano requer tanto financiamento e promoção como a ciência. Não pode haver caule (STEM: ciência, tecnologia, engenharia e matemática) sem o seu núcleo (CORE: criatividade, originalidade, reciprocidade e empatia)”.
Os aspetos nucleares aqui referidos pelo futurista são, numa perspetiva da liderança, as competências distintivas para o futuro, distintivas para qualquer função ou atividade humana e, em particular, para os líderes.

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