Sou velha demais

Numa altura em que o governo quer aumentar a idade da reforma e as empresas resistem em contratar pessoas com idade superior a 40 anos, a frase “sou velho demais” torna-se frequente…

Todos os dias, são banidos talentos do mercado de trabalho por serem considerados “velhos demais”, pessoas completamente ativas que perdem o seu espaço.

Mas quando é que somos velhos demais para trabalhar?

Diria eu que apenas quando não temos os recursos necessários para responder às exigências da função, o que varia de pessoa para pessoa e em nada está relacionado com a idade cronológica.

No entanto, as empresas parecem não pensar desta forma. Decidem as contratações com base no estereótipo que as pessoas mais velhas são menos produtivas, mais resistentes à mudança, menos adaptáveis e que lidam menos bem com as tecnologias. Portanto, um número infindável de mitos.

É verdade que com o passar dos anos podemos ser menos rápidos, mas também cometemos menos erros. Os efeitos do envelhecimento não têm implicações diretas no desempenho da maioria das profissões. Em regra, os maturis, como lhes prefiro chamar, têm uma maior capacidade para lidar com situações mais complexas e para tomar mais facilmente decisões, fruto do efeito da experiência e de um maior equilíbrio emocional.

No entanto, a maior parte dos empresários tende a gerir a política de contratações a curto prazo. Partem do mito que os maturis são um custo maior para a organização. Esquecem-se que são mais qualificados, com mais experiência e talento, e apostam em profissionais sem experiência com custo menor. Desperdiçam o valor do talento, do conhecimento e da experiência. No entanto, rapidamente se dão conta do erro de gestão quando ocorre um gap de talento e de competências, e os profissionais recentes não conseguem assegurar com a mesma eficiência e qualidade as tarefas, havendo uma clara perda de rentabilidade e competitividade.

Não deixe que isso se reflita na sua organização. Os maturis existem, não são objetos descartáveis. Não deixe que a idade seja um rótulo com um prazo de validade reduzido, mas sim um indicador de experiência. Aposte em valores como a qualidade, a segurança e a confiança.

Por: Vera de Melo, CEO/partner da Your People

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