“Show me the money”

Encontrar os melhores talentos para trabalharem nas organizações é uma meta que desde sempre foi, e é, almejada. Se há alguns anos, para aceitar um trabalho, o que diferenciava uma organização de uma outra, era o salário que se ia usufruir, esse molde atualmente já não funciona por si só. Se imaginarmos um cenário de recrutamento e seleção, em que após todo o processo, quando se questiona ao possível candidato – o que consideramos reunir o perfil ideal para determinada função – se deseja ficar com o lugar, e ele nos responde que não, que aceitou uma outra oferta de trabalho, poderemos ficar estupefactos… ou talvez não.
O facto é que no momento de uma contratação, o dinheiro não é tudo. O trabalhador de hoje não é o mesmo trabalhador de há cem/cinquenta anos. Se antes bastava, para chamar a atenção do trabalhador, o pacote salarial oferecido – digamos que os soft benefits eram amplamente desconhecidos quando os baby boomers entraram no mercado de trabalho –, atualmente é-se mais exigente. Mas afinal o que são os soft benefits?
São difíceis de categorizar, uma vez que podem ser tangíveis ou intangíveis, tributáveis ou não tributáveis, financeiros ou não financeiros. Podemos dizer que se referem a um qualquer conjunto de benefícios da força de trabalho que vai para além do que vem somente numa folha de vencimento.
Porque é que este tipo de benefícios é atraente quer para a entidade patronal (organizações) quer para os trabalhadores? Vejamos:

Para as organizações:
– têm um impacto positivo no Return over Investment (ROI) – agregam valor para o trabalhador a uma taxa maior do que aumentam os custos;
– incrementam o sentimento de pertença, o “vestir da camisola”;
– fortalecem o compromisso entre trabalhador-organização;
– beneficiam o clima organizacional;
– melhoram a imagem perante o seu ambiente externo;
– contrata e retém os melhores talentos.

Para os trabalhadores:
– contribuem para melhorar a sua qualidade de vida;
– sentem-se reconhecidos;
work life balance;
– diminuem o stress.

Exemplos de soft benefits: descontos em ginásios, flexibilidade no trabalho, existência de creche na organização, auxílio em despesas médicas, utilização de habitação fornecida pela entidade patronal, descontos em bilhetes de cinema, trabalhar a partir de casa, ter o animal de estimação no local de trabalho, estacionamento gratuito, viagens de lazer para qualquer parte do mundo pagas, refeições variadas gratuitas, cursos de qualificação pagos pela organização, ações em datas comemorativas, etc., etc.
Questiono: quem não gosta de soft benefits? O caminho para contratar e reter talentos com certeza passa também por aqui. Se poderíamos viver sem os soft benefits? Traçando um paralelismo – ainda que adaptado – com uma expressão de memória coletiva de uma publicidade que agora faz parte da cultura popular: “Poder até podíamos, como verificamos ao longo da história da evolução do trabalho, mas não seria a mesma coisa”.

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em Recursos Humanos

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