Será a influência o novo poder?

A melhor das definições de liderança é porventura a mais simples: um processo de influência social. Ou seja, na essência, liderança sempre foi influência. A influência é o processo de mudança na atitude e/ou comportamento do outro. Nesse sentido, a liderança sempre teve a ver com a introdução de mudança no sistema por via da influência social. Também aqui nada há de novo debaixo do Sol.

Nova é a forma como a influência acontece. Não porque agora a influência ocorra em redes sociais, porque também sempre foi assim – a bisbilhotice da vizinha sempre aconteceu na rede social da vizinhança – mas porque as redes sociais são digitais, formas de intermediação tecnológica da comunicação. Isso originou uma série de novas possibilidades, ou como lhes chamam os especialistas na matéria, affordances.

É hoje possível influenciar de forma mais rápida e mais eficiente mais pessoas ao mesmo tempo. Com esta influência nascem movimentos, fazem-se revoluções, aprofunda-se a democracia e fragiliza-se a democracia. As redes são um meio, mas o meio é a mensagem.

Ou seja, com as redes sociais digitais tudo mudou e nada mudou. Uma coisa parece certa: as redes e as novas formas de influência lançam novos desafios. Surgem novas categorias de influenciadores profissionais, que muitas vezes são influentes por serem populares. Toda a gente tem voz, o que é teoricamente bom, mas algumas vozes veiculam preconceitos, ideias feitas e falsidades. A influência é um novo poder, mas o poder dos líderes sempre se baseou na influência da autoridade pessoal, aquela que se conquista com o trabalho e o conhecimento. Pelo que fica a pergunta: qual a razão para aceitarmos (ou não) a influência de um influencer? Porque esse é o nosso poder final: o de escolhermos por quem queremos ser influenciados: diz-me quem te influencia e dir-te-ei quem és.

Por: Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

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