Ser mãe, um papel que prepara para o mercado de trabalho

No início deste ano abracei o projeto mais importante da minha vida, ser mãe. Tal como muitas mulheres que se encontram atualmente no mercado de trabalho, esperei pela melhor altura. Mas se pensarmos bem, qual é a melhor altura? Vai depender de mulher para mulher, no entanto, algumas das alturas (re)pensadas são: o relacionamento é estável? existe estrutura emocional? financeiramente como se está? suporte familiar, há? como ficará a situação em relação ao trabalho? etc., etc.…
A questão – como ficará a situação em relação ao trabalho? – é a que desejo analisar.
Ser mãe é sem dúvida um dos trabalhos mais exigentes do mundo, dá-nos um conjunto de competências/aptidões que são indispensáveis para desempenharmos da melhor forma o nosso papel, e, imagine-se, prepara-nos ainda melhor para o mercado de trabalho. Este é cada vez mais mutável e as competências/aptidões que se valorizam para os desafios do século XXI fazem a diferença entre recrutarmos uma pessoa com determinado perfil em detrimento de outra.
Quero explorar algumas das competências/aptidões que uma mãe adquire e que podem ser extrapoladas para o mundo do trabalho (com as devidas especificações de cada cenário – casa/trabalho – obviamente):

  1. Multitarefas: acredita-se popularmente que as mulheres são capazes de realizar várias tarefas com sucesso ao mesmo tempo (várias investigações científicas confirmam a veracidade deste ponto). Esta competência ganha ainda mais expressão quando se é mãe – vejamos um exemplo: uma mãe supervisiona os trabalhos de casa de um filho enquanto dá de comer a outro, e, ainda, coloca para esterilizar os biberões. Num ambiente organizacional esta profissional está apta a responder a várias solicitações e a realizá-las com êxito – o ambiente que a circunda enquanto mãe preparou-a para realizar várias tarefas com exatidão mesmo em momentos de stress e insegurança.
  2. Gestão do tempo: o tempo talvez seja um dos bens mais preciosos nos dias que correm, quer na criação de um filho quer a nível empresarial. Tudo tem um momento próprio que não é repetível e tem de ser aproveitado/rentabilizado ao máximo. Quando se é mãe e havendo multiplicidade de papéis (mãe, mulher, esposa) uma gestão organizada do tempo é primordial. No mercado de trabalho, otimizar o tempo e saber aproveitá-lo da forma mais eficiente e eficaz é essencial para a sobrevivência de uma organização.
  3. Liderança: durante o crescimento de uma criança há a necessidade, por parte da mãe, em desenvolver esta competência. O poder de decisão, delegação de tarefas, organização, etc., são essenciais para o culminar com êxito de todo o processo de criação. Para se obterem adultos saudáveis muitas questões relacionadas com a liderança tiveram de ser assumidas pela mãe. Esta aptidão vai ganhando robustez e solidificando na mãe uma profissional para a qual ser um modelo de gestão e liderança na empresa se materializa de uma forma muito mais fácil.
  4. Comunicação: curioso o facto de o nosso primeiro ato de comunicar ser o choro, quando nascemos. As mães têm um papel fundamental desde muito cedo na interpretação do significado dos choros. Consoante o filho vai crescendo e começa a falar, esta (mãe) começa a prestar atenção e a avaliar as necessidades, modo de pensar, etc., do seu filho. Desenvolve uma empatia e respeito pelas diferenças tornando-se essencial na gestão de conflitos, por exemplo, entre irmãos. Todos sabemos que atualmente a comunicação se trata de uma artéria essencial para a manutenção da vida de uma organização – trata-se de uma qualificação excelente para o progresso de negociações, gestão de conflitos, tomada de decisão, etc.

Quero crer que num país democrático, como o nosso, algumas ideias por parte de entidades empregadoras – como se ao contratar uma mãe, ou quem deseje vir a sê-lo, estas profissionalmente rendessem menos (com argumentos como: licenças de maternidade, amamentação, ausência por doença dos filhos, etc. – pontos que faço questão de abordar em outros artigos) – estejam ou venham a estar em vias de extinção.
Mães, um brinde a nós, tchim tchim!

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em Recursos Humanos

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