Ser líder na era digital é uma tarefa complexa

A realidade de um mundo do trabalho cada vez mais globalizado e exigente tem vindo a colocar maior ênfase na importância dos processos de recrutamento e seleção. É comum dizer-se que atualmente, para além das capacidades técnicas e experiência, ambas indispensáveis, são também avaliadas as competências pessoais do candidato e se elas vão ao encontro da cultura da empresa. Se pensarmos no recrutamento de gestores de topo, estes conceitos ganham ainda mais relevância. As empresas procuram verdadeiros líderes que ponham de parte as formas tradicionais de uma gestão centralizadora e que possam incentivar a cooperação e constante inovação para fazer face à transformação tecnológica presente no dia-a-dia de pessoas e empresas. Deste modo, e para fazer face aos desafios com que as empresas são confrontadas diariamente, existem três áreas fundamentais que vão impactar mais do que nunca o recrutamento e seleção de gestores de topo nas empresas.

Sem grandes surpresas, uma dessas áreas é a tecnologia. O ano passado trouxe com maior proeminência novos conceitos como Blockchain, Automação ou Inteligência Artificial, e que fazem já parte do léxico corrente das empresas. Algumas destas tecnologias estão já a ser implementadas pelos profissionais, não só como forma de agilizar os processos, mas também para permitir a recolha mais rápida de informação e a utilização de novas ferramentas. As funções de top management deverão, por isso, ter cada vez mais conhecimento das inovações tecnológicas e do seu funcionamento, para que as empresas possam ter um diferencial competitivo em relação aos seus competidores. Por outro lado, as competências tecnológicas devem fazer parte do dia-a-dia dos gestores de topo das empresas. Ser um líder na era do digital é uma tarefa complexa, e que vai muito para além do domínio das ferramentas de TI tradicionais. Os novos gestores precisam de ter a capacidade de integrar com sucesso o digital como parte da estratégia da empresa, incentivando uma cultura de inovação, que vai permitir estar na vanguarda do mundo dos negócios.

Outro fator determinante no recrutamento de gestores de topo nas empresas é a paridade de género, com comprovados benefícios sociais e económicos para as empresas. Ainda que estejam a ser feitos esforços em direção a um mundo de trabalho cada vez mais equitativo, a realidade é que o mercado ainda mostra algumas disparidades, e por isso os líderes do futuro vão ser desafiados a reconhecer a igualdade de género como uma prioridade.

Por fim, e porque vivemos num mundo de trabalho cada vez mais globalizado, vai ser determinante que os gestores de topo tenham a capacidade de gerir equipas multidisciplinares de diferentes backgrounds e culturas. À medida que as necessidades de negócio evoluem e as empresas gerem mais operações em todo o mundo, a tendência será para procurar gestores que tenham uma abordagem global e que entendam as vantagens de ter uma força de trabalho verdadeiramente sem fronteiras.

Por: Pedro Amorim, managing director da Experis

Artigos Relacionados: