Saúde mental e organizações

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde como “(…) um estado de pleno bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade”. Esta definição holística de saúde comporta dois pressupostos inequívocos: 1) não existe saúde sem saúde mental; e, 2) a saúde deve ser vista, para além da ausência de doença, como um estado positivo de bem-estar físico, mental e social. A mesma organização – OMS – define saúde mental como “(…) o estado de bem-estar no qual o indivíduo tem consciência das suas capacidades, pode lidar com o stress habitual do dia-a-dia, trabalhar de forma produtiva e frutífera, e é capaz de contribuir para a comunidade em que se insere”. Como se verifica, esta definição, tem em atenção quer o bem-estar psicológico, quer os problemas de saúde mental.

Se atendermos, por exemplo, aos problemas de saúde mental, de acordo com a Sociedade Portuguesa Psiquiatria e Saúde Mental, Portugal é o segundo país da União Europeia que regista a taxa mais elevada de prevalência de doenças psiquiátricas. Entre as perturbações psiquiátricas, as de ansiedade são as que apresentam uma prevalência mais elevada (16,5%), seguidas das perturbações de humor (7,9%). Mais de um quinto dos portugueses sofre de uma perturbação psiquiátrica (22,9%) – já imaginou?!!! Em cinco pessoas que conhece, a probabilidade de uma delas ter problemas do foro psiquiátrico está presente. Acrescente agora a essa probabilidade a questão do não estar bem psicologicamente – como, por exemplo, o stress – e o panorama não é nada animador.

A ausência de saúde mental no trabalho representa graves consequências, quer para o trabalhador, quer para a organização onde este se insere. Eis alguns exemplos:

Para o trabalhador:

  • fadiga;
  • concentração reduzida;
  • má memória;
  • stress;
  • invalidez;
  • dores músculo-esqueléticas…

Para a organização:

  • má gestão do tempo;
  • absentismo;
  • presentismo;
  • redução de produtividade…

Sabemos hoje que os problemas de saúde mental resultam de uma combinação entre fatores biológicos (por exemplo, características genéticas), psicológicos (por exemplo, forma de lidar com as situações) e sociais/ambientais (pobreza, género…). Se passamos mais de metade do nosso tempo no nosso local de trabalho, este contexto social desempenha um papel fundamental. Em ambiente de trabalho vale mais prevenir do que remediar. Assim, as organizações devem tomar medidas, tais como: ações de formação e sensibilização sobre saúde mental; desenvolvimento de uma cultura que fomente a saúde e o bem-estar dos trabalhadores; identificação e eliminação de fatores de risco no trabalho; promover o incremento constante do compromisso entre o trabalhador e a organização; horários flexíveis; etc.
Faça da sua organização, uma organização com saúde mental!

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em Recursos Humanos

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