Ricardo Bellino, o empreendedor e deal maker do futuro

É dotado de uma força criativa de génio, de uma capacidade de concretização surpreendente e de uma aceleração acima da média. Nesta conversa, faz-nos algumas revelações. O homem que convenceu Donald Trump em três minutos, que adora o impossível por ser aí que tem menos concorrência, vai estar no nosso país para a Leadership Summit Portugal, onde promete acelerar, acelerar muito.
No dia 25 de setembro, Ricardo Bellino, empresário brasileiro de sucesso, de ascendência portuguesa, vem a Portugal para participar como orador na Leadership Summit Portugal.
A Líder falou com Bellino para conhecer os seus projetos empresariais para o futuro, as suas obras escritas e artísticas e, também, como não poderia deixar de ser, a sua perspetiva da liderança e dos líderes atuais.

Líder (L): Criou inúmeros projetos de sucesso: desde levar para o Brasil a agência de modelos Elite Models, passando pela parceria com Donald Trump, até à utilização da primeira modelo virtual do mundo. Há novos projetos em vista?

Ricardo Bellino (RB): Depois de levantar âncora no porto do Rio de Janeiro, há mais de 30 anos, para dar a volta ao mundo e desbravar novas fronteiras consideradas impossíveis e conquistar os meus sonhos grandes, chegou a vez de jogar âncora em Portugal. Estou hoje comprometido e dedicado a um projeto que vai eternizar as minhas crenças no ilimitado potencial humano. Trata-se do meu recém-criado Grupo SOL, cuja marca carrega o DNA da nossa missão: a “School Of Life”. Na nossa escola da vida não há paredes ou carteiras de estudantes, apoiamos todos aqueles que compartilham dos nossos valores e das nossas crenças: o entusiasmo constrói novas realidades e atitudes, ou seja, as pontes para chegarmos onde queremos. Estamos a criar um verdadeiro sistema solar que irá iluminar mentes e ajudar a trazer o entusiasmo para dentro de cada um. Os gregos definiam entusiasmo como estar possuído por Deus. Acredito que quando nos conectamos com essa força interior nos tornamos invencíveis e capazes de quebrar todas as objeções que a vida nos apresenta, romper o paradigma do impossível e sermos seres humanos felizes. Estou convencido de que o sucesso vem depois da felicidade e não antes.

L: Como se define uma “oportunidade de negócio” e como identificar e distinguir as boas e más ideias?

RB: Uma oportunidade de negócio deve, antes de mais, atender a uma necessidade. Essas necessidades, muitas vezes, são criadas e aparecem em cenários de crise e quando a maioria das pessoas está incrédula e pessimista em relação ao futuro e à mudança de cenários e, por isso, não se movem das suas zonas de conforto, diminuído muito a concorrência. Quanto mais impossível parecer a ideia, melhor. Walt Disney dizia: “Adoro o impossível, pois lá tenho muito menos concorrentes”. Faço dele as minhas palavras e reitero-as com grande entusiasmo e convicção. Por fim, a única forma de se saber se uma ideia é boa, é quebrando a inércia da teoria e colocando essa ideia na prática, assumindo todos os riscos inerentes.

L: Na sua opinião, o que leva alguém a tornar-se empreendedor?

RB: Na minha opinião você não se torna um empreendedor ou se forma como tal na escola ou universidade, você nasce empreendedor. Empreendedor é aquele sujeito que vê coisas onde ninguém vê, adora viver perigosamente, assumindo riscos muitas vezes não calculados, motiva-se pelas conquistas e não desiste à primeira queda ou a uma sucessão de nãos que ouve ao longo da sua jornada. Um empreendedor original vive em permanente estado de bipolaridade, sem perder o entusiasmo e, principalmente, o sentido de humor. Alguém se candidata à vaga de empreendedor?

L: Como se caracteriza enquanto líder? Que estilo de liderança costuma adotar e porquê?

RB: Sou um lobo alpha que reconhece que a força de uma alcateia é muito superior à de um membro individualmente considerado. Na nossa escola da vida, cada membro se reconhece como um lobo e compromete-se a apoiar o grupo como uma grande família.

L: Quais as características que procura nos seus sócios/parceiros de negócios?

RB: Busco, primeiro, me conectar com as pessoas e alinhar expectativas – “face to face”. Fundamentalmente, busco pessoas que compartilham das mesmas crenças e valores que eu. Que não acreditam no impossível, não aceita um não como resposta e que estejam dispostas a assumir riscos e não a encontrar desculpas esfarrapadas para não fazer as coisas, ou justificar terceirizando a responsabilidade pelo insucesso.

L: E nas suas equipas?

RB: Os membros da minha equipa precisam agir como sócios, celebrando e sofrendo nossas conquistas e perdas com o mesmo sentido de humor e entusiasmo.

L: Que líderes o inspiram?

RB: Os meus dois líderes e mais importantes mentores foram, e continuam sendo (ambos já se foram): o meu avô Ribeiro, um imigrante português que chegou ao Brasil aos 15 anos e de ensacador de café a mascate – vendendo tecidos finos – se tornou um empresário bem-sucedido. Meu avô inseriu-me no mundo maravilhoso dos comerciantes e das vendas; o meu sócio e amigo eterno John Casablancas, com quem aprendi a arte do sonhar grande, desafiar o impossível e pensar como rico.

L: Fale-me resumidamente de cada um dos seus livros e do próximo que vai sair?

RB: Na minha bibliografia, retrato de forma prática e direta os bastidores das minhas “business adventures” e compartilho as lições que extraí de cada uma delas, nos meus êxitos e fracassos. Considero que os meus livros constituem uma enciclopédia de empreendedorismo, que foi e continua sendo a minha grande inspiração de vida. Não trato apenas de compartilhar as minhas histórias, mas a de todos aqueles com quem fiz negócios e aprendi grandes lições de aprendizagem contínua, na minha escola da vida. Orgulho-me de ter livros publicados pelas maiores editoras do mundo, entre elas a McGraw-Hill, Planeta, Campus Elsevier, Harvard Books, entre outras, e de estar traduzido em mais de dez línguas. Entre os meus títulos, posso destacar: PDI – O Poder das Ideias, Sopa de Pedras, 3 Minutos para o Sucesso, Midas e Sadim, Escola da Vida e Why Not?. O meu próximo livro, que devo lançar durante a Leadership Summit Portugal, terá o título Acelerando Pessoas.

L: Fale-nos dessa formação que faz que pretende acelerar pessoas em oito horas?

RB: A partir de uma reflexão sobre o que significa ser um “acelerador de pessoas”, cheguei à seguinte conclusão: trata-se de colocar a minha experiência e a minha história de vida ao serviço daqueles que querem trocar o verbo frustrar pelo verbo realizar – e querem fazer isso rápido, muito rápido! Com esses pensamentos em mente, escrevi numa folha em branco: ACELERAR. E, quase que de imediato, cada letra ganhou vida, como se a própria palavra estivesse mostrando o caminho. Acelerar é, pois, um acrônimo, um mapa, uma vez que traçar um percurso é a primeira condição essencial para que você possa aumentar a velocidade com segurança. E esse percurso é você quem vai traçar e percorrer. É você quem irá desenhar o seu mapa para o sucesso. O meu papel resume-se a usar o que aprendi desenhando o meu próprio mapa para fornecer balizas, sinalizadores e pontos de apoio. Para facilitar a jornada, tudo isso está expresso num programa de oito passos. Tudo o que vai ser pedido é que as pessoas dediquem uma hora do seu tempo para cada um dos passos – uma hora por semana se fizer o programa através do livro, ou oito horas consecutivas se você fizer a formação presencial. Cada passo é tratado em cada um dos capítulos do livro. No final de cada capítulo, depois de entender o conceito que envolve, uma atividade ou ação será solicitada, e é de fundamental importância que a realize – afinal o seu objetivo não é apenas acelerar a sua mente, mas também, e principalmente, a sua vida. Depois das atividades, se quiser escrever um pouco sobre como se sentiu e as ideias e insights que lhe ocorreram, melhor ainda – é uma ótima maneira de registar e direcionar pensamentos e ações.

L: Gostou de conhecer Donald Trump? O que acha dele como líder?

RB: Gostei muito de conhecer Donald Trump e muito mais de ser desafiado por ele. Os três minutos que ele me deu para vender a minha ideia, mudaram definitivamente o meu patamar como empreendedor e deal maker. Aprendi com Trump a verdadeira arte da negociação e a nunca aceitar um não como resposta!

L: Ele é visto como alguém inculto, pouco sensível aos problemas ambientais, minorias, etc., prepotente e egocêntrico. Concorda?

RB: Surpreende-me notar como o mundo do politicamente correto está atento apenas às diferenças e pormenores e perdem a visão da “big picture”. Ao invés de procurar os supostos defeitos do Trump, se observarmos a sua trajetória, de um empreendedor destemido e muito bem-sucedido, a força da sua resiliência que o levou a ocupar o posto mais alto do poder mundial, aprenderemos muito mais. Eu posso atestar, em causa própria, que as lições que aprendi e aprendo com Trump me ajudaram muito e têm ajudado. Sem querer ser tendencioso, reconheço que assume posições fortes, que muitas vezes chocam e criam reações adversas e até constrangimento. Aprendi na minha escola da vida que não se faz omeletes sem quebrar ovos!

L: Acha que os EUA estão no bom caminho?

RB: Os EUA hoje estão sendo conduzidos por um CEO que se graduou na escola da vida, com méritos e uma enorme resiliência e não mais por políticos de carreira, que já demonstraram ao mundo a sua ineficiência para lidar com questões práticas de gestão, sejam elas públicas ou privadas.

L: E o seu Brasil, está a precisar de bons líderes com carácter de urgência?

RB: Sim. Estou envolvido num movimento, o “Brasil 200”, liderado pelo meu amigo Flávio Rocha, do Grupo RIACHUELO, que está convocando as lideranças empresariais e empreendedores brasileiros para assumir um papel protagonista na política e ajudando a dizimar o “coitadismo” que assola o nosso país.

L: Também é daqueles que acha que o ex-presidente, Lula da Silva, está a ser alvo de perseguição política?

RB: Eu chamaria a isso outro nome. Bandidos, como Lula e seus comparsas, devem ser perseguidos, sim, mas pela polícia e serem condenados e presos pelos abusos de poder e roubos que cometeram.

L: Vai estar em Portugal para a Leadership Summit, o que podemos contar dessa sua participação?

RB: Em setembro, estarei no palco da Leadership Summit Portugal onde anunciarei oficialmente os meus planos para os domínios de Vasco da Gama. Entre eles, posso antecipar, ainda sem revelar nomes, uma sociedade com dois grandes personagens do setor.

L: Também é artista. Fale-nos das suas obras?

RB: Tudo na minha vida começa com uma visualização. E foi assim que, há dez anos, enquanto tomava um café com a minha esposa numa uma loja da Nespresso, em Nova Iorque, tive um insight ao observar um painel de cápsulas douradas instalado no interior daquela loja. Imediatamente, imaginei usar cada cápsula e suas diferentes cores como pixels e, a partir daí, começámos a criar quebra-cabeças com 2500 cápsulas cada, dando vida a uma coleção de arte que retrata figuras iconográficas, desde líderes mundiais, como Nelson Mandela, a estrelas de música rock, como Mick Jagger e Madona, entre outros 50 grandes nomes. Decidimos doar todo o nosso acervo para apoiar instituições filantrópicas em todo o mundo. Para nossa surpresa, os quadros são arrematados em leilões por um valor médio superior a €30 000. Nada mal para um artista iniciante.

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