Revista Líder N.º 4 – setembro/2018


Afinal, a que velocidade conseguimos ir? Ou talvez seja melhor perguntar, a que velocidade devemos ir? O tema de capa desta edição é a grande pergunta – How fast can we go? – que será respondida na Leadership Summit Portugal 2018.

Esta é a pergunta que concentra muitas das inquietações dos nossos líderes. Estar preparado para liderar num mundo rápido, novo, estranho e onde a própria humanidade é posta em causa, é o desafio limite. O que precisam de saber os novos líderes? Como precisam de se adaptar os atuais? Como antecipar, planear, gerir? Como ser criativo e inovador? Como gerir as pessoas e as máquinas? Como liderar neste admirável mundo novo?

E se todas estas dúvidas assombram o nosso presente, o que dizer de 2084? Como será o mundo onde viverá um adulto de setenta anos que hoje é apenas um bebé? Esta é a premissa de 2084 Imagine, um projeto de entrevistas desenvolvido pela cineasta Graça Castanheira, que se debruça sobre o tempo da próxima filiação humana, escutando ideias e conjeturas sobre o futuro dos indivíduos, das sociedades e do nosso planeta.

E que visão de tudo isto têm os nossos jovens líderes? Qual a posição das mulheres e dos homens que vão redefinir o conceito de liderança no futuro? Os Global Shapers do Lisbon Hub responderam à nossa grande questão – How fast can we go? – e o resultado foi, no mínimo, inquietante.

Mas, independentemente de toda a tecnologia que venhamos a ter a nosso favor no futuro, a forma como reagimos a obstáculos e adversidades na nossa vida continua a depender apenas de nós e daquilo que (ainda) nos define como humanos. A nossa capacidade de resiliência e adaptação parece não conhecer limites e é precisamente isso que o projeto de investigação da Nova SBE, Resilient Leaders, pretende demonstrar, através da análise das experiências traumáticas ou de disrupção vividas por alguns líderes e da forma construtiva e persistente como estes decidiram lidar com os seus efeitos.

Ainda sobre adversidades, para muitas mulheres, a desigualdade de género continua a ser um dos principais obstáculos que têm de enfrentar diariamente, tanto na esfera pessoal, como na profissional; para todos nós, enquanto sociedade, enquanto ser coletivo, este é um problema que urge resolver, mas que ainda exige um longo caminho a percorrer. Apesar da participação feminina na formação superior ter aumentado exponencialmente, observa-se que as subsequentes carreiras são, ainda hoje, mais curtas, com salários mais baixos e com menos cargos de liderança. É neste contexto que surgem plataformas como a Spring Up Europe, cujo objetivo é acelerar, desenvolver e consolidar o crescimento de projetos empresariais liderados por mulheres, bem como dar-lhes acesso a uma plataforma internacional de investidores e ao apoio de uma comunidade global de especialistas.

Mas se consideramos que a nossa realidade de mundo ocidental é difícil, em muitos outros locais do planeta apenas conseguiríamos adjetivar a realidade como insuportável. Em Moçambique, por exemplo, um dos países mais pobres do mundo, mas com uma população muito jovem – as mulheres com menos de 30 anos representam cerca de 37% dos 28 milhões de habitantes –, cerca de 50% das raparigas casa ou tem o primeiro filho antes dos 18 anos e apenas 1% chega ao Ensino Superior. Um ciclo que perpetua a ausência da mulher na escola, nas empresas e nos lugares de decisão do país e que a Girl MOVE Academy pretende ajudar a quebrar, através de uma metodologia de mentoria em cascata.

Destaque, ainda, para a entrevista de abertura a Volker Hirsch, um empreendedor e executivo de media digital, mobile e gaming, que defende ser possível desenvolvermos o mundo digital sem esquecermos a componente humana.

Finalmente, na secção Books, especial distinção para Os 6 Elementos: Uma Breve História sobre a Natureza, a Humanidade e a Tecnologia, de Diogo Almeida Alves; Gargalhadorismo – Empreendedorismo com Humor, de Abbadhia Vieira; e How Fast Can We Go? – O papel do líder na transformação digital, de Anabela Chastre.

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How fast can we go after all? Or maybe it is better to ask how fast should we go? The cover theme of this edition is the great question – How fast can we go? – to be answered at the Leadership Summit Portugal 2018.

This question is one which concentrates many of the unease of our leaders. To be prepared to lead in a rapid, new, strange world where our very humanity is brought into question, is the ultimate challenge. What do the new leaders have to know? How can the current leaders adapt? How to anticipate, plan and manage? How to be creative and innovative? How can we manage people and machines? How can one lead in this brave new world?

And if all these doubts haunt our present, what can we say about 2084? What will the future world be like for a seventy-year old adult who is just a baby today? This is the premise of 2084 Imagine, an interview project carried out by the film-maker Graça Castanheira, who focuses on the contemporary times of the next generations, listening to many different ideas and conjectures on the future of individuals, societies and of our planet.

And what opinion do our young leaders have of all this? What is the position of the men and women who will redefine the concept of leadership in the future? The Global Shapers Lisbon Hub answered our question – How fast can we go? – and the result was, at the very least, unsettling.

But irrespective of all the technology that our future may bring in our favour, the way in which we react to obstacles and adversities in our lives continues to depend solely on us and that which (still) defines us humans.

Our capacity for resilience and adaptation seems to know no limits and it is precisely that which is being studied by the Nova SBE research project, Resilient Leaders, where the aim is to demonstrate it via analysis of the traumatic or disruptive experiences of some leaders and the constructive and persistent way that they dealt with its effects.

Still on the subject of adversity, for many women, gender inequality is still one of the major obstacles they have to face daily, be it on the personal or on the professional level; for all of us, as a society and as a collective group, this is a problem which needs must be resolved but which has a very long way to go. Despite women’s participation in advanced education having increased exponentially, subsequent careers are still today, short, with lower salary scales and far less leadership positions. It is precisely in this context that platforms such as Spring Up Europe have emerged, and whose objective is to accelerate, develop and consolidate the growth of entrepreneurial projects led by women, as well as giving them access to a platform of international investors and the support of a global community of experts.

However, if we consider that our reality in the western world is difficult, in many other places on the planet we can only imagine and qualify the reality as unbearable. Take the example of Mozambique, one of the poorest countries in the world but with a very young population – women under 30 represent 37% of the 28 million inhabitants –, where about 50% of girls either marry or have their first child before the age of 18 and only 1% reaches advanced education. A cycle which perpetuates the absence of women in schools, in companies and in the decision-making positions of the country and which the Girl MOVE Academy aims to break through its mentoring method in cascade.

Also noteworthy is the opening interview of Volker Hirsch, a mobile, gaming and digital media entrepreneur and executive, who believes it is possible to develop the digital world without forgetting the human component.

Finally, in the Books’ section, special distinction for The 6 Elements: A Brief History of Nature, Mankind and Technology, by Diogo Almeida Alves; Gargalhadorismo – Entrepreneurship with Humour, by Abbadhia Vieira; and How Fast Can We Go? – The role of the leader in digital transformation, by Anabela Chastre.

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