Primeira sugestão de verão

Quando uma mulher que criou três filhas, e duas delas aparecem em simultâneo no ranking das “self made women” da Forbes, sendo a primeira vez que duas irmãs o conseguem, e uma terceira é professora no São Francisco Medical Center da Universidade da Califórnia, escreve um livro chamado Como criar pessoas bem sucedidas: lições simples para resultados radicais, acho que vale a pena espreitá-lo.

A mulher, Esther Wojcicki, tem 78 anos, tornou-se uma figura internacional na educação e foi fundadora do programa de jornalismo da Palo Alto High School. Era filha de imigrantes judeus russos, pobres, sem educação e cresceu numa cidade agrícola perto de Los Angeles. A educação foi a sua salvação. Frequentou a Universidade de Berkeley, com uma bolsa, e nunca mais olhou para trás. Trabalhou como jornalista e, mais tarde, como professora. Criou as filhas na Universidade de Stanford com o marido e pai delas que ali dava aulas. Tem uma história de vida que vale a pena conhecer.

As filhas são a Anne Wojcicki, cofundadora e CEO da empresa de testes genéticos 23andMe, e também ex-mulher do fundador da Google, Sergey Brin, a quem emprestou a garagem para começar a desenvolver o motor de busca; a Susan Wojcicki que chegou a CEO do YouTube e está entre as principais empresárias da América desde 2015, quando a Forbes começou a publicar a correspondente lista; e a Janet Wojcicki, doutorada em antropologia médica e professora de pediatria e epidemiologia no San Francisco Medical Center da Universidade da Califórnia. A mãe diz que são todas revolucionárias. E que as ajudou a serem assim.

No livro, a autora usa um acrónimo, TRICK, para as palavras inglesas que significam confiança, respeito, independência, colaboração e bondade, para descrever a sua abordagem à educação. Uma a uma descreve-as assim:

Confiança
Segundo o próprio livro, estamos numa crise de confiança mundial. Os pais estão com medo de ser quem são, de correr riscos, de lutar contra as injustiças e esse medo transmite-se aos filhos. Quando os pais estão confiantes nas escolhas que fazem como pais, podem depois confiar nos filhos para que estes deem passos importantes e necessários em direção ao fortalecimento e à independência.

Respeito
O respeito fundamental a ter é em relação à autonomia e individualidade dos filhos. Todas as crianças têm um dom e é um presente para o mundo, e é responsabilidade dos pais cultivar esse dom, seja ele qual for. Isso é exatamente o oposto de dizer às crianças quem devem ser, que profissão seguir, como deve ser a sua vida. Os pais devem apoiá-las à medida que elas identificam e perseguem os seus próprios objetivos.

Independência
A independência depende de uma base sólida de confiança e respeito. As crianças que aprendem o autocontrolo e a responsabilidade desde cedo na vida estão muito mais bem equipadas para enfrentar os desafios da vida adulta, para inovar e pensar criativamente. Crianças verdadeiramente independentes são capazes de lidar com a adversidade, contratempos e tédio, todos inevitáveis na vida. Sentem-se no controlo, mesmo quando as coisas ao seu redor estão um caos.

Colaboração
Significa trabalhar em conjunto seja em família, num sala de aula ou no trabalho. Para os pais, significa incentivar as crianças a contribuir para as discussões, as decisões e até mesmo a disciplina. No século XX, quando seguir as regras era o mais importante, os pais tinham o controlo total. No século XXI, ditar as regras já não funciona. Não se deve impor aos filhos o que fazer, mas pedir-lhes ideias e trabalhar juntos para encontrar soluções.

Bondade
Costumamos tratar aqueles que estão mais próximos sem a gentileza e a consideração que dedicamos a estranhos. Os pais amam os filhos, mas estão tão familiarizados com eles que muitas vezes veem a bondade como uma coisa certa. E nem sempre a incluem no rol dos comportamentos a desenvolver perante o mundo. Bondade significa gratidão e perdão, serviço aos outros e uma consciência do mundo para além de nós próprios. É importante mostrar aos filhos que uma das coisas mais empolgantes e gratificantes que podem fazer é melhorar a vida de outra pessoa.

As cinco premissas assentam em estabelecer limites e expectativas razoáveis e criar andaimes sobre os quais as crianças possam desenvolver as habilidades sociais e o comportamento responsável que precisarão no mundo. A autora acha que este método é universalmente válido. Acha que pais, professores e empregadores não estão apenas a criar filhos, ou a dar aulas, ou emprego, mas estão a construir a base do futuro da humanidade. Acredita que tem a fórmula para preparar os jovens de hoje para enfrentar e resolver os desafios do mundo enquanto vivem vidas felizes. O método já formou líderes comprovadas. Se se junta a felicidade talvez seja duplamente interessante conhecer.

Por: Sandra clemente, jurista

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