Portugal é um dos países com maior pressão salarial e desajuste de talento

Portugal está entre os 34 países com maior pressão salarial em setores altamente qualificados e com um maior desajuste de talentos, de acordo com a oitava edição do Hays Global Skills Index (the Index), um relatório publicado pelos especialistas em recrutamento da Hays em colaboração com a Oxford Economics. O relatório – intitulado de The Global Skills Dilemma: How Can Supply Keep Up With Demand? – avalia 34 mercados de trabalho profissionais e investiga as macrotendências, desafios e oportunidades que a força de trabalho enfrenta, a nível mundial.

O relatório foi criado com base em sete indicadores e para Portugal estes foram os resultados deste ano – flexibilidade a nível da educação (5.2), participação no mercado laboral (5.1) , flexibilidade no mercado de trabalho (6.1), desajuste de talentos (8.6), pressão salarial (5.1), pressão salarial em setores altamente qualificados (8.3) e pressão salarial em ocupações de altamente qualificados (0) –, cada um com o mesmo peso e que contribui para a pontuação geral do índice que para Portugal dá o total de 5.5. A pontuação geral do índice deste ano de todos os países permanece inalterada em relação a 2018 com o valor de 5.4.

Cada pontuação do indicador, bem como a pontuação geral do índice, variam de 0 a 10,0. Uma pontuação geral acima de 5,0 indica que o mercado de trabalho está a enfrentar mais pressão do que o normal. Uma pontuação abaixo de 5,0 indica que o mercado está mais flexível do que o normal.

O país apresenta um dos mais elevados níveis de pressão salarial em setores altamente qualificados tendo decrescido este ano de 9.9 para 8.3, estando atualmente em 8.º lugar em 34 países. Encontra-se ligeiramente atrás de países como o México (10), Espanha (10), Nova Zelândia (10) Estados Unidos (9.6) e Alemanha (9.5). O gap salarial entre setores altamente qualificados e não qualificados diminuiu, motivado pela queda dos salários no setor financeiro. Ainda, o facto da queda das taxas de desemprego não ser acompanhada de um aumento dos salários está a causar um fenómeno global de estagnação de salários.

Quanto aos talentos, o Indicador de Desajuste de Talentos decresceu de 9.4 para 8.6 em 2019, numa escala de dez pontos, devido à queda da taxa de desemprego e pela quantidade de ofertas de emprego disponíveis. Isto indica que houve uma melhor correspondência de aptidões, apesar do indicador permanecer elevado. Ainda assim, esta escassez das aptidões pode estar a travar o crescimento dos negócios, sendo que não há profissionais suficientes e disponíveis com as competências adequadas para preencher as vagas. Para além disso, o Index deste ano identifica o rápido desenvolvimento tecnológico como um dos principais fatores que contribuem, para o desajuste de talentos, à medida que os empregadores lutam para encontrar profissionais qualificados para preencher as ofertas. Portugal encontra-se em oitava posição dos país com maior desajuste e ligeiramente atrás de países como Espanha (10), França (10), Luxemburgo (10), Japão (9.8) e Dinamarca (9.5).

Paula Baptista, managing director da Hays Portugal, refere que, “apesar de Portugal continuar com uma conjuntura económica favorável, com uma taxa de desemprego que ronda os 6.7%, será uma oportunidade desperdiçada se as empresas não adequarem as medidas necessárias para se adaptarem a esta realidade do mercado laboral”.

Artigos Relacionados: