Pare de julgar os outros

Que atire a primeira pedra quem nunca julgou ninguém! Essa atitude é até justificada pela ciência. Segundo um estudo da Universidade Albert Ludwigs, de Breisgau, na Alemanha, os nossos cérebros processam opiniões e julgamentos sobre as pessoas milissegundos depois de conhecê-las, ou seja, em menos de um segundo avaliamos se temos ou não empatia pelo outro. E não nos podemos esquecer que as emoções influenciam diretamente o nosso veredicto.

O problema é quando isso se torna um hábito tão corriqueiro do líder, que ele nem nota. Avaliar as competências do colaborador para exercer novas tarefas é necessário, mas tirar conclusões baseadas na forma, por exemplo, como ele se veste e da sua forma de falar, pode ter consequências graves: falta de confiança, tomadas de decisão equivocadas ou precipitadas e microgerenciamento de processos, atrapalhando assim tanto a produtividade do colaborador, quanto o próprio desempenho do líder, já que ele se afasta da sua atividade essencial que é traçar estratégias e ter uma visão de longo prazo do negócio.

A solução, como na maioria dos comportamentos, é rever a maneira de pensar, fazendo assim uma mudança de mindset para sair da posição de juiz e passar a adotar um papel mais analítico que avalia situações e não pessoas. Imaginemos o seguinte caso: durante uma reunião, um líder considera importante que as pessoas mostrem proatividade e novas ideias. Contudo, quando uma pessoa participa de forma apática ou fica disperso durante a conversa, ele logo pensa: “Ele(a) não está comprometido com a empresa”; ou: “Preguiçoso, quer que os outros façam o trabalho por ele!”. Antes de partir para o veredicto, o ideal é levantar várias hipóteses sobre o comportamento da pessoa e colocar-se no lugar do outro pode ajudar. Por exemplo, o colaborador X está disperso… Quando eu fico desatento quais as causas? Será algum problema pessoal? Está com dificuldade de entender a importância do assunto?

Ou seja, é preciso empatia. É preciso colocar-se no lugar do outro, despindo-se de preconceitos e emoções. Dessa forma, será possível analisar a situação de forma imparcial. Normalmente, não é tarefa fácil suspender os julgamentos e as emoções, e dar um passo atrás para tentar ver o cenário mais amplo. Aliás, muitos líderes não conseguem fazer isso por conta própria, mas um bom coach pode ajudar, entre outras coisas, a desenvolver a escuta com contexto, mantendo assim a imparcialidade. E sempre que houver um ambiente de confiança, converse com a pessoa. Afinal, um diálogo franco, transparente, demonstrando o que espera do outro, pode provocar verdadeiras mudanças nos relacionamentos corporativos. E afinal de contas, nem os juízes devem passar sentenças sem provas concretas. Certo?

Por: Eliana Dutra, CEO da ProFitCoach, master coach certified pela ICF e sócia-fundadora do Grupo Nikaia

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