Os dez fundamentos da autenticidade, genuinidade e genialidade no trabalho

Há estudos que sugerem a Inteligência Emocional (IE) como crucial para a performance profissional. Diz-se que esta Inteligência é responsável por grande parte do sucesso, em todas as áreas de trabalho, e mostra até ser sinónimo de salários mais elevados. Percebe-se que o foco na IE leva a resultados tremendos. Mas há um senão… a Inteligência Emocional, de forma isolada, não fará nada por si se não for um comunicador genuíno.

Leadership is all about Communication.
Communication is all about Impact.
The impact is all about Respect.
Respect is all about Trust.
And, to be Trustful you must be Genuine.

Um estudo recente da Universidade de Washington concluiu que as pessoas não percecionam Inteligência Emocional forçada. Quer isto dizer que a IE só é reconhecida como tal, quando é verdadeira, ou seja, quando é revestida de uma outra componente: a Inteligência Moral. O mesmo estudo descobriu que líderes emocional e moralmente inteligentes – autênticos – são mais eficientes a motivar as pessoas porque inspiram confiança através de ações e não só das palavras. Estes líderes concentram características de pessoas genuínas e isso faz deles bons comunicadores. Mas então o que é isso de ser um “bom comunicador”?

      1. Não tentam fazer com que todos gostem de si
        Pessoas genuínas são quem são e sabem que nem todos vão identificar-se consigo. E estão bem com isso! Não é uma questão de despreocupação sobre se os outros gostam ou não de si, simplesmente isso não vai meter-se no caminho para fazer o que está certo. Estas pessoas não se importam de tomar decisões pouco populares se acreditarem que essa é a decisão certa. Para além disso, não procuram atenção, mas sabem que ao comunicarem com os outros, de forma concisa, simpática e confiante, conseguem a atenção e interesse dos seus interlocutores.
      2. Não são precipitadas no julgamento
        Pessoas genuínas têm a mente aberta, o que as torna approachable e interessantes para os outros. Ter esta disponibilidade mental é fundamental no emprego, porque permite acesso a novas ideias e ajuda. Para eliminar preconceitos é preciso tentar ver o mundo na ótica dos outros. Isto não quer dizer que se acredita ou condena o seu comportamento, apenas ajuda a que o julgamento não seja precipitado, dando espaço para perceber quem as pessoas realmente são.
      3. Trilham os próprios caminhos
        A satisfação e o prazer que as pessoas genuínas retiram da vida e do trabalho não dependem das opiniões exteriores. Isto dá-lhes espaço para seguir o caminho que escolhem no seu próprio compasso, que deriva dos seus próprios valores e princípios. Estas pessoas fazem o que acreditam ser correto e não são dissuadidas pela possibilidade de alguém não gostar.
      4. São generosas
        Pessoas genuínas são, verdadeiramente, generosas com as pessoas que conhecem, partilhando conhecimento e recursos. Não existe nunca o medo de serem ultrapassados ou substituídos porque acreditam que o sucesso da sua equipa é o seu sucesso. E comunicam sempre neste sentido de propósito “comum”.
      5. Tratam todas as pessoas com respeito
        Quer sejam os seus maiores clientes ou o empregado que serve a sua mesa de jantar, os bons comunicadores são sempre extremamente cordiais e respeitadores. Acreditam que não interessa o quão simpáticos são para aqueles com quem jantam se tratarem mal quem os serve. Isto porque se guiam pela máxima de que ninguém é melhor que ninguém e todos merecem o mesmo respeito e cordialidade.
      6. Não são motivadas por coisas materiais
        Pessoas genuínas não precisam das últimas tendências e dos mais valiosos bens porque a sua felicidade vem de dentro e dos prazeres mais simples como a presença da família, dos amigos e de um sense of purpose. Não quer dizer que não gostem de bens materiais, porque com certeza apreciam, só não os vêm como necessários para se afirmarem ou serem mais felizes. Os bons comunicadores falam pouco sobre o que “têm” e mais sobre o que “sentem”.
      7. São confiáveis
        As pessoas aproximam-se daqueles que são genuínos porque sabem que podem confiar neles. É difícil confiar em alguém quando não se sabe quem realmente são ou como se sentem. Pessoas genuínas falam o que pensam e fazem o que sentem, e quando se comprometem são extremamente leais. “Eu disse aquilo, mas a culpa foi toda tua…” é algo que um bom comunicador nunca dirá.
      8. Não são facilmente ofendidos
        As pessoas genuínas têm uma noção clara de si e do seu trabalho, não vendo como um ataque direto tudo o que lhes é dito. Se alguém criticar uma das suas ideias, não o vêm como uma ofensa pessoal, mas sim como feedback construtivo. Não há necessidade de saltar para conclusões precipitadas, sentir-se insultado e começar a preparar a vingança… Pessoas genuínas conseguem objetivamente avaliar comentários negativos e construtivos, aceitando o que funciona, colocando em prática o que lhes parece necessário e deixar o resto para trás sem guardar rancor.
      9. Largam os smartphones e todos os dispositivos techie
        Responder a uma mensagem ou mesmo só olhar de lado para o telemóvel durante uma conversa é das melhores formas de desinteressar alguém de si! Os bons comunicadores não o fazem, porque se focam completamente no momento presente, na pessoa e na conversa, conseguindo criar conexão até nas conversas de todos os dias… Porquê? Porque o interesse em saber é genuíno e por isso há uma facilidade em fazer perguntas e dar respostas, que são propícias para a conversa fluir.
      10. Não são egocêntricos, não são hipócritas e… não se gabam!
        Pessoas genuínas não tomam decisões guiadas pelo ego porque não precisam da admiração dos outros para se sentirem bem consigo mesmos. Da mesma forma, não procuram ter créditos pelo trabalho dos outros e fazem o que sentem ser necessário sem necessidade de chamar a atenção para si. Os bons comunicadores “praticam o que apregoam” e esta é, provavelmente, a melhor forma para definir pessoas genuínas. Estas pessoas têm uma clara noção sobre si e por isso não exigem dos outros algo que sabem que não fariam. Para além disso, são conscientes das suas fraquezas e erros e tentam corrigir-se a si mesmos antes de os apontar nos outros. Por fim, nada pior do que um comunicador que está, constantemente, a gabar-se do seu trabalho ou dos seus feitos. Quando o fazem é porque são pessoas que sentem alguma insegurança de não ver o seu trabalho reconhecido se não o apontarem. Comunicadores genuínos são pessoas seguras e confiantes do seu trabalho. Acreditam que quando algo realmente importa, o seu resultado se destaca independentemente das pessoas que reparam, ou não.

Em resumo, os bons comunicadores têm de ser pessoas genuínas, que sabem quem são e são confiantes o suficiente para estarem confortáveis na sua pele. São conscientes, têm os “pés assentes na terra”, e apreciam, verdadeiramente, cada momento de comunicação. Porque não sendo egocêntricas, também não se preocupam com a “interpretação” que os outros fazem das suas vidas.

Referências bibliográficas:
Jiang, H., & Men, R. L. (2017). Creating an Engaged Workforce: The Impact of Authentic Leadership, Transparent Organizational Communication, and Work-Life Enrichment. Communication Research, 44(2), 225–243.
Lewis, L. (2019). Organizational change: Creating change through strategic communication. Wiley-Blackwell.
Thiel, C., Griffith, J., & Connelly, S. (2015). Leader–Follower Interpersonal Emotion Management: Managing Stress by Person-Focused and Emotion-Focused Emotion Management. Journal of Leadership and Organizational Studies, 22(1), 5–20.

Por: Vânia Nascimento Guerreiro, researcher & PhD candidate | ISCSP, Universidade de Lisboa

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