Os desafios da formação para o futuro da liderança

José Crespo de Carvalho é professor catedrático de Gestão de Operações na NOVA SBE – School of Business and Economics. Adicionalmente, é também diretor académico da Educação Executiva no NOVA FORUM. A sua experiência em gestão e ensino no nível executivo foi, paralelamente à sua presença em empresas, fulcral na sua carreira. A Líder foi saber o porquê da presença da Universidade Nova de Lisboa na Merit Summit e quais os principais desafios e projetos para o futuro da organização.

Líder (L): Gostávamos de saber porque é que a NOVA decidiu associar-se a este projeto?

José Crespo de Carvalho (JCC): Como acho que é mais ou menos público e notório, a NOVA, de há três anos a esta parte, resolveu fazer um reshape, o que passou também por apostar em formatos muito mais executivos. Esta era uma área já bastante boa, mas ainda algo reduzida. E dadas as transformações que toda a organização tem sofrido ao longo dos últmos anos, a nível de instalações e até mesmo remodelação de mestrados, achámos que fazia todo o sentido pensar além fronteiras e fazer esse trabalho de expansão.

L: Neste caso, o crescimento tem a ver com captação de estrangeiros?

JCC: Bem, o nosso principal mercado neste momento é o alemão. O segundo é o italiano, o terceiro é o frances, o quarto o nórdico… ou seja, estamos a falar de mercados que são relativamente sofisticados e, portanto, faz todo o sentido que façamos um movimento de acompanhamento da formação de executivos. A aposta aqui, neste evento, foi perceber se o caminho estratégico que delineámos foi o correto – se a ideia de novos formatos, como associação de outro tipo de interações que não apenas a sala de aula ou outros convencionais, faz sentido – e perceber também o que os outros estão a fazer e do que é que as empresas estão à procura. Nós vemos este tipo de iniciativas como uma forma de networking, mas também como forma de sustentarmos aquilo que desenhámos em termos de estratégia. No fundo, serve sobretudo para percebermos se aquilo que temos em mente vai ao encontro das necessidades dos players internacionais. E, por aquilo que percebi hoje de manhã, em certas áreas talvez estejamos até um bocadinho mais à frente.

L: Quer dar um exemplo?

JCC: Em várias experiências: no formato de bootcamp, safari, book digests… há uma série de novos formatos com conteúdos que estamos a criar e sobre os quais queremos perceber se em termos internacionais fazem sentido. Até porque temos feito já alguma oferta e tem sido bem acolhida, mas é sempre preciso ir validando.

L: Portanto, aqui acaba por haver uma partilha de práticas e um processo de aprendizagem para esta área do negócio.

JCC: Sim, para nós é sempre um processo de aprendizagem. Quer dizer, quem disser que não está aqui para aprender está enganado, digo eu.

L: E quais é que são os grandes desafios no âmbito da formação para o futuro da liderança?

JCC: Seguramente conduzir pessoas, hoje, e liderar pessoas, hoje, requer meios diferentes. Paradoxalmente, e usando tecnologias, requer muito contacto pessoal, até mesmo físico. Muitas vezes, pode ser por via de tecnologias que nos façam poder recriar essa experiência de olhar outras pessoas. Mas requer sobretudo um conjunto de skills que são comportamentais na génese. Eu acho que a essência está lá, na liderança, mas a forma como encaramos os meios, a distância, as pessoas que estão espalhadas pelos vários sítios, as várias geografias, a multiculturalidade, tudo isto é que está a ter um impacto completamente diferente.

L: E a vossa organização encontra-se preparada para enfrentar essas novas variáveis?

JCC: Nós costumamos dizer que a NOVA não é propriamente uma universidade portuguesa, nós estamos aqui por acaso. Temos vindo a agregar esforços e pessoas para nos darem esse cunho e carácter internacional. O nosso objetivo é rasgar horizontes e por isso mesmo estamos no lado da viragem do paradigma.

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