Os dados e a analítica: um novo paradigma económico

As mudanças na tecnologia têm acompanhado (diria até ultrapassado) as alterações do mundo empresarial com impacto na vida de cada um de nós. As empresas debatem-se, hoje em dia, com uma grande quantidade de dados para processar, numa base diária.

Terminaram os dias em que os gestores de TI se apoiavam em relatórios mensais desatualizados e em horas extra de tarefas operacionais. Em vez disso, alimentadas por dados e potenciadas pela automatização, as TI podem funcionar em tempo real, ser preditivas e confiar na informação detalhada para poderem oferecer um valor estratégico verdadeiro às empresas e aos seus clientes.

Esta é uma das conclusões do estudo do Global IT Readiness Index, publicado pela Cisco, que reúne respostas de cerca de 1500 líderes de TI de sete países e de empresas com 500 a 50 000 colaboradores. O estudo revela como a quantidade de dados e a capacidade de os gerir estão a transformar a forma como os especialistas em TI conseguem influenciar decisões de gestão das empresas. Por exemplo: em apenas dois anos, 33% dos profissionais assumiram que irão fazer um trabalho de antecipação e utilização dos dados para otimizar os resultados. Este número, quando comparado com os valores atuais, representa mais do dobro.

Atualmente, de acordo com estes dados, 78% dos gestores de TI aplicam o seu budget apenas em operações diárias e rotineiras que asseguram pouco mais que a continuidade do negócio. Não há espaço para inovação. Mas é possível redefinir o orçamento para que haja espaço para algo novo, inovador. Vemos que há empresas que estão a abandonar este modelo e a progredir para uma fase de maior maturidade das operações de TI.

Deixar cair ou reduzir o investimento em TI pode ter impacto na implementação de políticas de automação, e de uma forma geral na implementação de todo um processo de transformação digital coeso e bem-sucedido. Poder investir em TI promove benefícios estratégicos junto dos clientes! E também por isso é relevante que os próprios gestores de TI possam ter uma palavra a dizer no processo de tomada de decisão sobre investimentos que a empresa poderá ter de suportar. Os resultados serão bastante satisfatórios se todo o processo for bem desenhado.

Se considerarmos o modelo de quatro etapas para o amadurecimento das operações de TI, em que as empresas começam por uma fase Reativa, depois Proativa, Preditiva até atingirem uma maturidade tal que lhes permita Antecipar situações, compreendemos a importância dos próprios departamentos de TI fazerem uma análise interna para perceber em que fase estão e como podem fazer crescer o departamento, num período de dois anos!

Empresas com maior grau de maturidade reúnem dados de mais áreas da sua infraestrutura, realizam mais análises e apoiam-se mais na automatização. Para atingirem este (desejado) nível, as organizações devem estar mais orientadas para os dados, podendo prever eventos (como interrupções) e para mecanismos de automatização que lhes permitam realizar alterações de forma contínua e em tempo real, mantendo um estado ideal dos seus processos.

À medida que as organizações avançam ao longo do modelo, utilizam dados para poder representar e antecipar melhor o seu futuro. Através da analítica e da automatização, os CIO podem evoluir desde uma reação “às cegas” perante os acontecimentos – por exemplo, falhas de serviços –, até uma supervisão e otimização contínua das suas infraestruturas com base em previsões de futuras necessidades. Consequentemente, podem oferecer resultados estratégicos para o negócio, e a mudança em vez de ser repentina e desafiante torna-se em algo benéfico e possível de controlar.

Por: André Rodrigues, systems engineer manager da Cisco Portugal

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