O Talento estará onde as máquinas não chegam

Nasci na Serra da Estrela num lugarejo chamado Sarnadas, que se situa depois do Poço do Inferno. Esse local é hoje inóspito e desertificado, e a perturbação do silêncio resulta apenas da passagem de um avião ou de um ou outro carro que a muito custo vence a estrada de terra batida e maltratada aí existente.

Quando era criança e os sonhos povoavam a minha cabeça, tinha a ambição de poder andar de avião e poder ter um BMW!

Um dia, já muito depois de ter o meu batismo de voo, sobrevoei as Sarnadas. Vi bem abaixo os locais onde cresci, onde sonhei, onde brinquei e, de forma descontrolada, as lágrimas vieram-me aos olhos. Um pouco antes tinha materializado o meu sonho de ter um BMW. Esse sonho transformou-se em pesadelo quando, numa manhã de dezembro, me despistei e o carro ficou sem reparação possível. A partir desse dia nunca mais quis ter um BMW!

Tenho tido o privilégio de assistir e ser ator de mudanças inimagináveis. Enquanto líder de equipas tenho impulsionado e participado em muitas mudanças nas organizações, mudanças essas que têm sido cada vez mais rápidas, mais marcantes e com maior impacto no nosso dia-a-dia; essas mudanças têm sido, na maioria das vezes, provocadas pelas máquinas, mas não há máquina que hoje sinta a emoção acima descrita (quando sobrevoava as Sarnadas) ou tenha a reação (talvez irracional) de não querer voltar a ter um BMW. Esses são comportamentos que só os humanos conseguem ter.

E no futuro? As máquinas conseguirão chegar lá? Conseguirão transmitir emoções? Conseguirão sonhar? A minha resposta é não!

E é assente nesse pressuposto que, na Fórmula do Talento, assumimos que o líder do futuro terá de ser racional, preditivo, inovador e impulsionador de permanente mudança, para que possa tirar partido da evolução que vai continuar a verificar-se. Mas o líder do futuro que a Fórmula do Talento antecipa e pretende ajudar a desenvolver tem também de ser envolvente e próximo, emotivo e apaixonado, com pensamento independente assente em crenças e valores, e capaz de trabalhar em equipa para que possa tirar todo o partido quer da evolução que vai continuar a existir, quer das pessoas com quem trabalha!

Por: Luís Marques, diretor-geral da Fórmula do Talento

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