O que é ser líder?

Quando pensamos em líderes, pensamos em nomes sonantes, figuras imponentes, feitos marcantes: Nelson Mandela, Oprah, Obama, Elon Musk, Ghandi, Dr. King, Cristiano Ronaldo, ou Churchill são apenas alguns dos nomes que coletivamente associamos a grandes líderes.
Estes líderes sabiam que todo o progresso advém de questionar o status quo. Questionaram as práticas, valores, e crenças correntes, e acreditavam que havia uma forma melhor de fazer as coisas. Não acreditaram que são as condições que definem o nosso destino, mas sim as decisões sobre o que fazemos com o que nos foi dado. Perceberam que quem não faz parte da solução, é parte do problema, e por isso decidiram ser uma força ativa e viver a vida pelas suas próprias regras, a construir sobre aquilo que acreditam. Perceberam pelo quê e por quem estariam dispostos a morrer, e decidiram viver por isso.
Enquanto líderes, traçaram uma visão otimista para o futuro, e comunicavam essa visão a plenos pulmões, com tanta certeza, que transmitiam a ilusão de que estávamos quase a lá chegar. Raramente esta visão era realista pelos standards das outras pessoas. Uma visão muitas vezes controversa que, embora otimista, nos instigava a lutar por aquilo em que acreditamos, e para nunca nos darmos por vencidos.
Graças a esta visão, estes líderes tiveram a capacidade de mover milhões de pessoas que acreditavam na causa, nos princípios, e na missão que eles defendiam. Milhões de pessoas que, de uma forma ou de outra, eram essenciais para o seu cumprimento – porque ninguém chega longe sozinho e um líder precisa de seguidores que lutem com ele por algo muito maior do que todos eles juntos.
Estas pessoas, inspiradas por uma melhor visão do futuro, decidiram prestar serviço e lutar por uma causa. Com milhões de pessoas a contribuir para a realização da visão de um líder, o verdadeiro líder decidiu servir aqueles que lutam pela visão que ele defende. Estes líderes não viveram para si próprios, mas sim para aqueles que defendem a sua causa.
Quando a missão foi posta em causa, estes líderes tiveram a capacidade de trazer muita certeza a ambientes que não tinham segurança alguma. Em situações de crise, em situações de luta, nas decisões difíceis, eles compareceram – deram a cara, assumiram a responsabilidade e, enquanto tudo tremia e desabava à sua volta, os líderes permaneceram sólidos, íntegros, e confiantes na sua visão. Por muito que fosse difícil para eles também, sabiam que, se vacilassem, os seus seguidores perdiam a esperança.
Todos nós, enquanto crescemos, temos uma decisão a tomar, a mais importante que vamos tomar na nossa vida: decidimos se vamos viver de acordo com o mundo que herdámos, ou se vamos lutar por aquilo em que acreditamos; decidimos se vamos aceitar as nossas condições, ou viver a vida com as nossas próprias configurações; decidimos se vamos viver pelos termos dos outros, ou pelas nossas próprias regras. Ninguém consegue liderar outros se não se liderar a si próprio primeiro. Por isso, a decisão mais importante que cada um tem de tomar é se vai ser líder da sua própria vida ou não. Esse, sim, é o primeiro passo para nos tornarmos líderes.
E se trocarmos Mandela por “Eu”? E se trocarmos Oprah por “Mãe”? E se trocarmos Obama por “Professor”? E se trocarmos Ghandi por “Pai”? E se trocarmos Ronaldo por “bombeiro” ou “comissário de bordo”?
O que não faz uma Mãe, se não dizer que vai correr tudo bem? Dizem-nos que confiam em nós. Dizem-nos que gostam de nós. Fazem-nos acreditar em nós próprios quando ainda é muito cedo para isso. Tomam às vezes decisões que para nós são controversas, mas cuja intenção é pura e bem-intencionada. O que faz uma Mãe, se não dar-nos esperança?
E os professores, que não desistem de nos ensinar, mesmo quando somos mal-educados? Professores que acreditam que todos temos direito às mesmas oportunidades, e que a educação é a melhor forma de nos prepararmos para elas. São os professores que, no dia-a-dia, nos fazem acreditar que estudar tem um propósito; que se todos estudarmos, vamos ter a possibilidade de viver uma vida mais realizada, e quem sabe mudar o mundo.
E um Pai, que trabalha que se farta, que dá tudo o que tem, para que os filhos tenham acesso a educação, saúde e conforto? Um Pai que às vezes se enerva, às vezes dá uma palmada, mas que, no final do dia, dedica a sua vida para garantir que os seus filhos têm acesso à vida que ele nunca teve? O que faz um Pai, se não viver para os seus filhos?
E quando estamos num avião e se acende o sinal de turbulência, começam os suores frios, até que olhamos para a comissária de bordo e a vermos a sorrir e a servir água como se nada fosse? O que faz uma comissária se não trazer segurança quando nos sentimos em perigo? E um bombeiro que, num incêndio, avança em direção às chamas como se nada fosse? O que faz um bombeiro se não trazer certeza quando estamos incertos? E um colega de equipa que, quando se apercebe a meio de uma apresentação que cometemos um erro, entra em nossa defesa e dá a volta à situação? O que faz ele se não apontar o caminho quando não vemos saída?
Nem todos nós somos líderes, mas todos podemos sê-lo. Ser líder não está relacionado com uma dimensão, mas sim com uma decisão. É uma decisão que podemos tomar todos os dias, a qualquer hora, sempre que somos confrontados com uma oportunidade para intervir – mesmo quando a culpa não é nossa, ou quando nem sequer temos nada a ver com a situação, podemos sempre vestir a capa e assumir a liderança.
E tu, quando te tornas líder?

Por: Fred Canto e Castro, fundador da Sonder People e Global Shaper desde 2018

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