O que é preciso para se ser um líder de sucesso, num mundo onde as pessoas se preocupam com o bem social? – Lição 1

Gostaria de partilhar alguns exemplos retirados de uma iniciativa em que participo, a Data Science for Social Good (DSSG) – uma iniciativa da Universidade de Chicago que desde 2017 também funciona na Nova School of Business and Economics –, e as lições que aprendemos. Temos expectativa de que haverá mais líderes no seu local de trabalho a gerir projetos capazes de contribuir para o bem social no mundo.

Lição 1 – Não há falta de competências quando se cria o ambiente certo

O pressuposto que constitui um obstáculo essencial quando se iniciam projetos em ciência de dados e que surge muitas vezes nas nossas conversas é o facto de a mão-de-obra qualificada ser escassa e um recurso caro. Demasiado caro para as organizações que lutam habitualmente para equilibrar os orçamentos. Este pressuposto é verdadeiro só se acreditarmos que todos os projetos têm de ter uma natureza comercial.

Nos últimos seis anos, na DSSG, tivemos a honra de trabalhar com cerca de 220 investigadores no nosso programa anual de verão de três meses. O objetivo do programa é educar os candidatos a cientistas de dados e as organizações a aplicar a ciência de dados para o bem comum e criar um impacto. O programa de investigação reúne os melhores talentos mundiais em ciência de dados e é altamente competitivo. Nos últimos três anos, tivemos, por cada uma das 40 vagas de investigador, mais de 20 candidatos. Através de um concurso público, normalmente publicado em novembro para o programa do ano seguinte, recebemos cerca de 30 candidaturas de projetos por programa, que concorrem a dez vagas de projetos. Também dedicamos muito tempo durante o ano para discutir as parcerias de projeto com dezenas de outras organizações. Para o programa de verão, atribuímos aos dez projetos selecionados três ou quatro equipas participantes de investigadores, com o objetivo de desenvolverem um protótipo funcional para a resolução de um problema do mundo real. Até ao momento, trabalhamos com 40 parceiros, ONGs governamentais e organizações que trabalham para o bem social provenientes de todo o mundo. Na maioria dos casos, os projetos foram patrocinados por filantropos, mas, recentemente, de modo a garantir a sustentabilidade, cobramos pequenas tarifas de projeto.

Os investigadores e as organizações parceiras vieram à DSSG para experimentar, aprender e criar impacto. Aprendemos que ao definir um ambiente certo onde as pessoas são guiadas e ao mesmo tempo livres de tentar e falhar, ou ter sucesso, de aprender mutuamente e criar impacto, podíamos aprender muito e ajudar a criar impacto.

Elemento(s) de aprendizagem – Existem competências e recursos que estão simultaneamente disponíveis e económicos; e criar parcerias com universidades, comunidades open source ou voluntários pode fazer uma enorme diferença no desenvolvimento de projetos de ciência de dados em organizações que trabalham para o bem social.

Por: Leid Zejnilović, assistant professor na NOVA SBE

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