O poder da diversidade

Numa época de mudança constante de paradigmas e contextos, como a globalização, incerteza política e rápida evolução tecnológica, as empresas necessitam de se preparar e munir das melhores ferramentas para sobreviver, para se adaptar, para crescer.

Uma ferramenta essencial em tempos de grandes mudanças é a diversidade. Podemos pensar na diversidade em temas mais diretos – género, raça, etnia, preferência sexual – mas a diversidade poderá vir de muitas outras vertentes, como a idade, experiência, formação académica. A diversidade cognitiva – pessoas com abordagens distintas para a resolução de um problema – reforça nas empresas duas capacidades críticas: inovação e resiliência. A The Boston Consulting Group fez recentemente um estudo com mais de 1700 empresas por todo o mundo em que provou que a diversidade nas empresas aumenta a capacidade de inovação e consequentemente a sua performance financeira.

A diversidade é especialmente importante nos cargos de liderança, de modo a dar o exemplo para toda a organização. Se olharmos para os Conselhos de Administração das empresas do PSI-20, é bastante claro que ainda temos muito a fazer para garantir essa diversidade.

A boa notícia é que este é um tema que preocupa muitas empresas e que, legalmente, a diversidade de género se vai tornar obrigatória. No entanto, poucas empresas têm sucesso em realmente fazer a mudança. Porquê? De modo a garantir a sustentabilidade da diversidade, as empresas têm de garantir culturas inclusivas, em que a dedicação à diversidade é clara e relevante. Não podem apenas fazer alterações “cosméticas” e sem relevância real. Têm de ter exemplos e defensores vocais, que lutem por uma alteração real do paradigma, que permitam que o status quo seja questionado e repensado.

Nos anos 2020, uma empresa bem-sucedida será, mais do nunca, uma empresa com capacidade de atrair e reter talento diverso e de garantir essa mesma diversidade na gestão de topo. Portanto, olhem à vossa volta, para as empresas onde trabalham, e questionem-se verdadeiramente: estão a ir todos juntos, com a diversidade necessária?

Por: Inês Relvas, project leader na The Boston Consulting Group

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