O paradoxo da diversidade… ou não!

Quantas vezes ouvimos dizer que a diversidade é fundamental nas organizações e nas equipas? Que da diversidade acontecem as coisas boas? E será que é assim? E se a diversidade for um fator de stress e cisão nas equipas?

Um dos temas que surge frequentemente nos processos de desenvolvimento de equipas, é o da falta de aceitação desta diversidade. Os que são rápidos a pensar e a agir, focados na “big picture” e no fazer acontecer, que não entendem quem precisa de tempo para pensar e se focar nos detalhes; aqueles que precisam de pensar bastante antes de agir; os que se ocupam em dar visibilidade dos sucessos ou aqueles que preferem ficar na sua zona de conforto e não arriscar.

A diversidade – demográfica (género, raça, orientação sexual, idade), experiencial (hobbies, afinidades, habilidades) e cognitiva (como abordamos problemas e como pensamos) – é uma realidade nas organizações e nas equipas. Liderar neste ambiente diverso, para “fazer acontecer” em comunhão e atingir resultados extraordinários, é um dos grandes desafios dos líderes.

Naturalmente, aproximamo-nos do que nos é semelhante, das pessoas com quem temos afinidades – de valores, comportamentos, interesses, experiências, formas de pensar e estar – e afastamo-nos do que nos é diferente. É próprio da natureza humana! Contudo, é a partir da diversidade que ganhamos novas perspetivas, aprendemos, crescemos, criamos e geramos novas soluções; e somos, efetivamente, melhores!

Então, como potenciar a diversidade e os seus benefícios se resistimos a aceitar quem pensa e age de um modo que muitas vezes não compreendemos? Um líder consciente dos benefícios das diversidades existentes na sua equipa, enfrenta o desafio de gerar um ambiente de confiança, aceitação e corresponsabilização.

Recordo-me de um processo de desenvolvimento de uma equipa de líderes que acompanhei diretamente numa multinacional, em que o tema forte em torno desta equipa de liderança era o da não aceitação dos diversos ritmos de trabalho, dos diferentes estilos de abordagem aos problemas e da falta de confiança gerada entre todos como consequência destes comportamentos. Começámos por desenvolver ferramentas que fomentaram e consolidaram a confiança no seio desta equipa, sendo a instituição de uma cultura de feedback um instrumento fundamental neste processo. Ao ganharem consciência do potencial que estavam a perder pela sua resistência à diferença, decidiram aprender a liderar na diversidade, extraindo dela todo o seu potencial, gerando um ambiente de confiança e de corresponsabilidade

A diversidade nas equipas e nas organizações traz novas perspetivas, capacidade de gerar melhores soluções, proporciona um ambiente para o desenvolvimento da empatia (capacidade para nos colocarmos no lugar do outro, nos padrões dele) e da compaixão (capacidade para aceitar o outro e dar-lhe suporte incondicional, estando ao seu serviço). E gera-se o ambiente de confiança – que emerge da cocriação, partilha e descoberta – que fomenta uma equipa em que o todo é substancialmente maior que a soma das partes.

Por: Paula Resende, managing partner da WIF Partners

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