O futuro do trabalho – a relação com a experiência pessoal no local de trabalho

Muito se tem debatido e estudado sobre o futuro – as competências do futuro, as profissões do futuro, os cursos do futuro, as gerações do futuro e de que forma vamos ter de nos adaptar a todas estas mudanças.

Todos temas amplamente estudados, com diversos especialistas reconhecidos nas suas áreas a debruçarem-se sobre os mesmos e a fazerem novas descobertas a cada dia que passa. Quando também fui desafiada a dar a minha opinião sobre esta questão do futuro do trabalho, automaticamente remeti para um estudo desenvolvido pela equipa de research da JLL, Future of Work!

O estudo assenta em cinco grandes pilares, sendo um deles a “Human Experience”. A Dr.ª Marie Puybaraud, global head of research da JLL Corporate Solutions, liderou o projeto e explica que: “A workplace that is powered by the human experience goes beyond a work-life balance. It drives how people feel about their place of work. How empowered, engaged and fulfilled they are, it’s the purposeful fusion of life and work based on authentic human experiences”. Daqui se percebe que o estudo é o casamento perfeito entre o setor imobiliário e alguns conceitos chave de gestão de pessoas, pelo que não podia haver um match mais perfeito com as minhas áreas de interesse, espero que após a leitura deste meu artigo de opinião passe a ser do vosso também, se ainda não o for.

O estudo foi conduzido em mais de 12 países, com a participação de 40 clientes e envolvendo mais de 7000 pessoas. Foi desenvolvido com o objetivo de tentar antever e perceber o futuro do trabalho e de alavancar o papel que o setor imobiliário pode ter nesta “revolução”, nomeadamente na forma como podem ajudar ainda mais as organizações a atingir as suas ambições. Já que falamos de futuro, tentei identificar, assim, os cinco principais elementos que o caracterizam.

O que torna tão difícil, ou desafiante, conseguirmos antecipar o futuro da dinâmica do trabalho é a realidade em que estamos inseridos e que torna muito imprevisível o rumo que vai seguir. Não pretendemos apresentar uma fórmula mágica ou tão pouco assumir que temos uma bola de cristal, mas procurámos identificar as diferentes variáveis que contribuem para este dinamismo e que podem ajudar a perceber melhor o rumo a seguir – elas vão desde as novas tecnologias, às expectativas e maiores exigências dos consumidores, até ao facto de termos, hoje em dia, organizações com muito mais diversidade, pessoas de diferentes gerações, também elas com diferentes expectativas, desejos e ambições.

Este é um ponto que a mim, em particular, sempre me tem interessado e que tenho estudado ao longo dos últimos anos, ainda que nem sempre seja simples pô-las em prática. Este estudo da JLL acaba por ajudar a perceber de que forma algumas teorias que têm sido apresentadas a este respeito podem ser postas em prática nas organizações. Começa por preconizar que para acompanharmos este ritmo estonteante e mantermos a nossa vantagem competitiva temos de adotar uma postura proativa, e não só ativa e muito menos reativa! Pensando numa ótica de “Human Experience”, isto significa alavancar o local de trabalho e as suas características como uma vantagem para reter e atrair talento de topo, que vão ser os futuros embaixadores da cultura e da marca da organização, primeiro elemento.

O estudo está focado na experiência das pessoas, segundo elemento importante. Ter a capacidade de criar experiências memoráveis no local de trabalho pode ser o que diferencia uma organização de outra na forma como as pessoas se sentem envolvidas com a mesma. Para qualquer organização que preconize colocar as pessoas em primeiro lugar, fazer a ligação entre o local de trabalho e a experiência das pessoas é fundamental.

O terceiro elemento importante é o de que um local de trabalho é muito mais do que uma propriedade, é um ambiente que pode ajudar as pessoas e as organizações a atingir aquilo a que chamam de ambições “vida/trabalho”. Cada contexto deve, assim, ser ágil por forma a ser possível adaptar-se de forma flexível às necessidades próprias de cada realidade.

Mas e porque é que a JLL, uma organização do setor imobiliário, decidiu conduzir um estudo deste tipo? Porque há muito que somos reconhecidos como sendo “parceiros” dos nossos clientes e de os apoiar na tomada de decisão para alavancarem os seus resultados. Ora, obviamente que perceber como vai ser o trabalho no futuro é fundamental neste contexto. Mais especificamente, interessa perceber o impacto específico que a experiência sentida no local de trabalho tem nos resultados organizacionais e, com isso, determinar como é que podemos moldar, numa lógica imobiliária, essas experiências, por forma a ir ao encontro das estratégias organizacionais e melhorar os seus resultados/performance.

Estando as pessoas no centro das organizações, afirmação que já conhecemos há muito e que está também no centro das preocupações dos decisores de organizações com um elevado nível de maturidade, faz sentido que seja de suma importância considerá-las e à experiência que retiram do seu local de trabalho, num estudo como este.

Assim se explica também a dimensão cada vez mais humana do setor imobiliário – as pessoas estão no centro das organizações e precisam de ser “cuidadas” num ambiente que promova o desempenho, a produtividade, mas acima de tudo a qualidade do seu estilo de vida e o seu bem-estar.

No centro do conceito “Human Experience”, quarto elemento, está então o perceber o que faz as pessoas sentirem-se felizes e realizadas no seu local de trabalho. A experiência humana pode ser aqui descrita como a impressão que uma organização deixa nas pessoas e que vai muito para lá do ambiente físico – vai impactar o seu nível de engagement, empowerment e de realização.

O modelo “Human Experience” (HX) que resultou deste estudo, quinto elemento, e que ajuda as organizações onde se encontra a perceber qual a melhor experiência a dar aos seus colaboradores, assenta exatamente nestes três conceitos:

Engagement/Compromisso – primeiro passo que qualquer organização deve dar. Principais conclusões a reter:

  • A introdução de espaços inovadores conduzem a um maior nível de engagement;
  • É apropriado adaptar os locais de trabalho para fomentar um espirito empreendedor e com isso atrair e reter talento;
  • Fazer ajustes à densidade de pessoas no espaço de trabalho melhora a eficiência dos colaboradores;
  • Deve formalizar-se a “Human Experience” na estratégia organizacional.

Empowerment/Controlo; Escolha – conceito que leva à mudança, assente numa lógica de dar espaço às pessoas para “respirar”, criar, colaborar, ao mesmo tempo que lhes damos oportunidades para aprenderem e triunfarem no trabalho. Tudo isto permite às organizações trabalharem a confiança que os colaboradores têm nelas e o conceito de transparência, ingredientes fundamentais para alavancar o desempenho das pessoas e dar-lhes um propósito para aquilo que fazem. Principais conclusões a reter:

  • Confiança, bondade e proatividade – três principais filosofias de trabalho que vão dar empowerment aos colaboradores;
  • Agilidade – a possibilidade de escolher onde se quer trabalhar melhora o desempenho e a qualidade de vida;
  • As pessoas valorizam ter um espaço onde se podem concentrar, regenerar e movimentar.

Fulfillment/Realização – novo conceito de felicidade – assegurar que as pessoas se sentem confortáveis para lá do nível básico de felicidade. Principais conclusões a reter:

  • A felicidade deve ser a prioridade número um para uma experiência de trabalho positiva;
  • As organizações devem considerar espaços dedicados à saúde e ao bem-estar;
  • Decisões de gestão relacionadas com reconhecimento e aprendizagem/desenvolvimento também impactam a realização dos colaboradores.

Há ainda que complementar a estas conclusões retiradas numa perspetiva de “Human Experience”, as conclusões retiradas a respeito das outras dimensões do estudo: “Digital Drive”, “Continuous Innovation”, “Operational Excellence” e “Financial Performance”. Só conhecendo as cinco dimensões podemos traçar um plano adaptado a cada organização.

Em Portugal, lançámos em 2017 a área de Workplace que ajuda os nossos clientes a perceber o seu posicionamento e a adaptar a sua estratégia em conformidade. Liderado pela arquiteta Rita Pinto Ribeiro, é uma área em expansão em Portugal, mas com uma vasta experiência da rede JLL a nível internacional.

Por: Alice Matos, head of Human Resources da JLL Portugal

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