Na diversidade e na partilha multigeracional todos temos a ganhar

Joana Garoupa define-se como uma pessoa com uma energia positiva. Por coincidência, ou não, trabalha numa empresa ligada à área das energias. Aliás, uma empresa com uma assinatura de marca inesquecível que se dirige aos consumidores dizendo ser a sua energia.
Coincidência ou não, Joana, ao volante e como copiloto, manteve a sua energia positiva e contribuiu com as suas ideias e motivações de liderança.
Estar aos comandos do marketing de uma marca líder não é tarefa simples, porque se não é fácil conquistar a liderança, mantê-la é deveras complicado. A Galp é uma empresa multinacional de origem portuguesa a que Joana se orgulha de pertencer. O seu olhar para a liderança é feito com a convicção de que na diversidade e na partilha multigeracional todos temos a ganhar.

O que significa liderar para a Joana?

Joana Garoupa (JG): Liderar pode ser muita coisa, pode ser inspirar, pode ser mandar. Liderança é uma palavra que tem componentes positivas e negativas e um certo peso, um certo estatuto. É mais fácil falar de gestão, gestão de equipas, de pessoas.

A Galp é marca líder, como se mantém essa liderança?

JG: Eu tenho a sorte e o privilégio de trabalhar numa marca que é de todos os portugueses. Embora a empresa não seja uma empresa portuguesa (é uma multinacional de génese portuguesa), a marca é claramente portuguesa, e, portanto, tem uma ligação emocional fácil com os portugueses. Além disso, tem todo um histórico que faz com que seja muito rica. Nesse histórico da marca, há a energia positiva que foi a assinatura da marca durante alguns anos e ainda hoje as pessoas se lembram dela.
O meu maior desafio neste momento é que a experiência que nós providenciamos aos nossos consumidores e clientes seja tão rica como o ecossistema que a marca por si só transmite.

Como gestora, como líder, quais são as palavras que a definem melhor?

JG: Acho que é a energia, e não é por trabalhar na Galp! Acho que sou positiva, delego muito, ou seja, gosto de sentir que os projetos são também das pessoas, não são meus, são nossos. Acima de tudo, sinto que os projetos que desenvolvemos são efetivamente ricos quando há inputs de várias valências, de várias gerações, que é uma das características das equipas nas empresas de vários géneros, de várias culturas.

Sente essa diferença geracional como algo positivo?

JG: Sim, acho fundamental ter as várias perspetivas que fazem com que os projetos sejam projetos vencedores. A diversidade de uma forma geral é muito importante, e aqui não estou só a falar de género, estou a falar da questão geracional, das questões culturais, das nacionalidades, etc.
Na Galp, temos esse exemplo e essa experiência da diversidade ao trabalhar para países como o Brasil, Moçambique e Angola, entre outros. Temos de garantir que também os nossos fornecedores de serviços trazem essa diversidade e que a própria equipa também consegue acompanhar essas perspetivas. Neste momento, na equipa da Galp, temos um bom equilíbrio de género, de idade, de gerações e de culturas.

Como é que se gere equipas com esta diversidade?

JG: Eu diria que se os valores forem comuns, independentemente das idades, género, e de onde se vem ou da experiência que se tem, tudo flui. Há uma variável muito interessante, quando estamos a falar de pessoas de culturas diferentes, e de países diferentes: chegamos à conclusão de que, às vezes, a coisa mais simples de dizer pode-se tornar complicada para quem está a ouvir. Um truque que utilizo muito é tornar as coisas muito visuais. Se desenhar uma árvore não há dúvida que aquela árvore é daquela forma, e isso ajuda muito. Eu acho que gerir equipas multidisciplinares, multigeracionais, passa por encontrar pequenos refúgios e truques que nos permitam garantir que estamos o mais alinhados possível.

É muito importante a comunicação dentro das equipas?

JG: É fundamental, e na lógica multigeracional o grande desafio é ter a comunicação suportada em diversos meios. Se tiver uma fábrica, vou querer ter sempre um jornal interno em papel, porque é isso que as pessoas querem, mas ao mesmo tempo vou ter uma app onde coloco notícias, porque só assim chego aos mais novos. É preciso garantir que tenho as ferramentas adequadas para chegar às várias gerações.

Como sabemos, esta liderança está a caminhar para um futuro digital, vamos conviver inclusivamente com máquinas, como é que vê essa mudança dentro da sua empresa?

JG: A Galp é uma empresa muito grande, está presente em onze países, e eu diria que, dependendo do sítio onde está, tem diversos níveis de desenvolvimento. O digital tem três estádios: o primeiro, mais básico, onde a transformação digital passa por sistematizar procedimentos e tornar os processos de backoffice mais céleres e mais acessíveis a todos, essa é a digitalização básica. Depois, há um segundo layer, que está muito ligado à área da comunicação, que é fazer negócio através do digital; não é só ter processos mais céleres e mais clean, mas, através do digital (e a Internet e o online têm aqui um papel fundamental), conhecer melhor os clientes e fazer negócio. Finalmente, um terceiro nível, que é um nível onde o digital já permite utilização de técnicas da inteligência artificial, dos algoritmos, para apresentar novos modelos de negócio. Portanto, já não estamos a falar de publicidade, ou de conseguir pôr o produto no momento certo à frente do consumidor, mas antes a falar em novos modelos de negócio, novos serviços, novos produtos que já estão a ser desenhados com base em modelos digitais.

Como está a Galp?

JG: A Galp por ser uma empresa tão grande, consegue estar nos três estádios ao mesmo tempo, consoante os negócios, porque a eletricidade tem um estádio de desenvolvimento, o gás tem outro, os postos de combustível têm outro e os serviços que prestamos um outro ainda.
No Brasil, já temos várias valências de inteligência artificial associadas a projetos de investigação e desenvolvimento bastante fortes. Em África, estamos noutro contexto, em Moçambique temos outros projetos de vertente digital, mas numa vertente digital muito mais vincada, a conhecer melhor o consumidor para poder intervir no momento certo e vender o produto certo.

Qual o líder que mais a inspirou, e continua a inspirar o seu modelo de liderança?

JG: Eu tive uma experiência profissional, no início da minha carreira, na McDonald’s e, portanto, o Ray Kroc, que é o fundador da McDonald’s, é para mim daqueles líderes de quem gosto de ler os livros. Tem uma visão e uma capacidade de execução fora de série. É daquelas referências de sempre. Isto para não falar do Steve Jobs…

Entrevista extraída do livro “How Fast Can We Go”, de Anabela Chastre

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