Miguelistas e Liberais


Nesta obra, o historiador Ron B. Thomson relata o conflito também conhecido por Guerra dos Dois Irmãos, travado entre absolutistas e liberais e que colocava de um lado D. Miguel e de outro D. Pedro, aprofundando a questão do liberalismo para além do confronto militar, e identificando este período como o início da luta pelo Portugal moderno.

Num país que apreciava e pretendia conservar a sociedade tradicional, a ideologia liberal revelou-se uma tarefa difícil de implementar. Face a esta vontade popular, que condenou quase desde o início os objetivos a que os liberais se propuseram, Thomson observa que “será este, talvez, o elemento mais interessante da história moderna portuguesa, a persistente sobrevivência de uma cultura orgulhosa perante tantas pressões antagónicas”.

Sustentando a sua interpretação através da análise da crise política e económica que se iniciou com a Guerra Peninsular, o professor universitário demonstra como a Concessão de Évora Monte marcou o fim da fase militar da luta constitucional, mas também como deixou por resolver as divisões de base no país – que viriam a dominar a política e a sociedade portuguesas nos mais de cem anos que se seguiram –, resultando no nascimento de um tipo de constitucionalismo, assente numa sociedade que se manteve mais autoritária do que liberal. Miguelistas e Liberais esclarece, assim, como foi possível aos liberais ganharem a guerra, mas perderem o povo.

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