Mais mulheres no desenvolvimento de software!

Ao longo dos últimos anos têm-se verificado, cada vez mais, alterações em certas tendências de género. O mundo da tecnologia já não é exclusivamente masculino, há cada vez mais mulheres nas IT, de forma transversal, desde a Gestão à Programação/Development.

Durante anos, os homens lideraram na área tecnológica e era rara a existência de mulheres, provavelmente por influência dos estereótipos típicos, felizmente a entrar em desuso, de preferências, influências contextuais, familiares, culturais ou de outros fatores.

Hoje sabemos que a ausência de mulheres nas áreas tecnológicas nunca foi uma questão de (ou falta de) capacidade/skills. Felizmente, hoje em dia, é cada vez menor a disparidade entre géneros no mundo laboral, pelo menos no mundo da tecnologia, digital e no ecossistema empreendedor, embora se continuem a colocar questões muito relevantes, como a da paridade salarial, por exemplo.

O facto de existirem cada vez mais mulheres a ocupar postos de trabalho que anteriormente não existiam ou estavam “reservados” aos homens é um retrato da evolução dos tempos e do mercado laboral, tendo contribuído fortemente para colocar na agenda mediática temas como a luta pela igualdade económica, laboral e social. Apesar de toda esta evolução positiva, a progressão na carreira das mulheres em relação aos homens continua a ser diferente e discriminatória. Em Portugal somos, apesar de tudo, dos países da União Europeia em que, dentro da área das tecnologias da informação e comunicação, mais aumenta o número de mulheres.

Como em tudo na vida, é importante estabelecer-se um equilíbrio entre o número de homens e mulheres a trabalhar na área da tecnologia. A tecnologia está presente em toda a nossa vida e impacta diretamente a grande maioria da população mundial que é constituída por vários géneros, raças, credos, etc. Hoje em dia, são maioritariamente homens que se encarregam do desenvolvimento de software e do futuro da tecnologia, como por exemplo a Inteligência Artificial; este fator é seguramente negativo por estar desfasado da realidade e da população a que se dirige.

Para que a tecnologia consiga servir verdadeiramente todos, são necessárias mais mulheres nesta área. Mulheres empreendedoras, gestoras e técnicas especializadas (project managers e developers, por exemplo).

Ao longo dos anos foram alguns os nomes que ficaram para a história da tecnologia como representantes do sexo feminino. Mulheres com poder e capacidades tão boas ou melhores que muitos homens da área tecnológica nessas alturas. Ada Lovelace foi das primeiras pessoas a compreender as possibilidades do uso do computador, a entender aquilo a que chamamos de programação. Grace Hopper criou a sua própria linguagem de programação, que, entretanto, deixou de ser utilizada, mas que ainda perdurou e serviu de base para a criação da linguagem de programação orientada para o processamento de banco de dados comerciais. Evelyn Boyd Granville foi a segunda mulher negra a receber um doutoramento de Matemática em Yale e responsável pelo desenvolvimento de software da NASA em alguns projetos espaciais.

O estudo Women in Tech 2018, que nos dá o resultado de relatórios e pesquisas e consequente análise sobre o número de mulheres na área da tecnologia e o futuro que daí advém, demonstrou resultados significativamente diferentes em comparação aos outros anos.
Atualmente, as mulheres jovens estão 33% mais predispostas a frequentar cursos relacionados com a informática e tecnologia do que as que nasceram há mais de 35 anos. As grandes empresas têm registado um aumento de diversidade, sendo que o Facebook e Instagram têm 35% de presença feminina, a Google 31%, a Microsoft 21%, e o LinkedIn com o valor maior de 42%.

Também na DigitalWorks procuramos seguir esta tendência e os 26% de mulheres com que contamos atualmente na nossa equipa revelam que estamos dentro da “média” no setor, mas ainda longe do desejável. Se considerarmos apenas as áreas de Gestão, Comercial e Gestão de clientes, a participação das mulheres sobe significativamente – 63% destes departamentos na DigitalWorks são compostos por mulheres –, mas é na área da “Produção” – Development e Programação – que a participação feminina fica aquém e baixa significativamente para apenas 7%.

Conclusão? Mulheres developers Web e Mobile precisam-se!

Por: Ricardo Rocha, commercial director na DigitalWorks

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