Mais do que a captação de novos talentos interessa o equilíbrio orgânico

Todos sentimos a atual transformação do mercado de trabalho, o ritmo a acelerar, as motivações e as oportunidades. São várias as contingências atuais que exigem uma adaptação, tanto por parte das empresas, como dos candidatos.

Falando das gerações que estão a entrar no mercado de trabalho, importa saber: o que as move? O que as faz optar por determinada empresa? E depois disso, o que as faz ficar ou sair? Poderíamos enumerar diversas variáveis que influenciam as decisões desta recente geração laboral, no entanto, penso que todas as respostas encontram um denominador comum: as pessoas com quem trabalham!

Falando com vários recém-licenciados percebemos como o brand awareness tem importância na procura de emprego. Esta nova geração no mercado, procura essencialmente ambientes e equipas em que se sintam valorizados e em que se possam sentir envolvidos e integrantes de um todo. Esse envolvimento começa por um processo de onboarding de sucesso que possa acolher e desenvolver uma relação umbilical dos novos colaboradores com a empresa e, dessa forma, contribuir para um ambiente de camaradagem, compromisso e união. Atualmente, aos trainees não importa apenas ter um trabalho, mas sim, um trabalho em contextos de qualidade, com uma cultura e pessoas com que se identifiquem.

São principalmente as equipas saudáveis e motivadas que melhor fazem o verdadeiro brand awareness, pois sendo o exemplo da integração num ambiente corporativo feliz atraem, inevitavelmente, novos talentos emergentes. Um dos factores de sucesso de atração do talento é a promoção da marca por todos colaboradores e não apenas através dos departamentos de Marketing ou Recursos Humanos.

Podemos apontar alguns fatores objetivos que, eventualmente, terão algum peso na motivação dos colaboradores como por exemplo a possibilidade de trabalhar em regime home-office; o dress-code informal; plano de carreira; eventos e iniciativas ou a formação contínua. No entanto, fatores como estes perdem o destaque que poderiam ter, se não se verificar o engagement dos colaboradores com a organização. Exemplo disso é a massiva abordagem por parte de consultoras de RH que, quando existe verdadeiro engagement dos candidatos, mesmo com projetos financeiramente mais atrativos, o sucesso do aliciamento fica comprometido, pois quem se sente verdadeiramente feliz no seu meio de trabalho, dificilmente pensa numa mudança.

Várias empresas estão atualmente preocupadas com temas como o employer branding e a atração e retenção das pessoas, mas, na verdade, o sucesso poderá passar por sensibilizar e formar quem temos já connosco e, principalmente, quem tem à sua responsabilidade a liderança de pessoas. Por isso, em primeiro, deveríamos dotar os líderes de ferramentas que lhes permitam promover a união e influenciar positivamente as suas equipas. Dependendo da cultura de cada organização e de cada pessoa que nela trabalha, é necessário entender as motivações de cada um, orientando para um objetivo comum. Estar ao lado das equipas, dar o exemplo, acompanhar, dar feedback (construtivo!) e ter uma comunicação fluida são alguns dos factores que os colaboradores enumeram quando questionados sobre o que gostariam de ver num líder.

De facto, cada vez mais se torna crucial olharmos “para dentro de casa” para podermos reduzir o turnover e aumentar a atração nas empresas, essencialmente quando vivemos num histórico socioeconómico de ciclos em que sabemos que a conjetura futura poderá ter novamente algum decréscimo, que tornará mais desafiante os processos de recrutamento, e isso poderá influenciar os próximos anos. Portanto, no fundo, o que é efetivamente relevante é que se fomente o capital humano interno para que possamos ter equilíbrio orgânico nas empresas.

Por: Tatiana Lopes, Senior Consultant da equipa de Sales & Marketing na Msearch

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