Liderança sublime – a diversidade no seu esplendor

Temos vindo, desde há dois anos, a fazer várias perguntas no âmbito da Leadership Summit Portugal. Começámos por perguntar “Where do we go from here?”. Quisemos perceber para onde estamos a caminhar. Depois, no ano seguinte, acrescentamos a velocidade e perguntámos “How fast can we go?”. Quisemos saber qual o ritmo, a velocidade. Este ano, a pergunta principal da cimeira será “Are we going together?”. As preocupações serão as de saber se estamos a ir todos juntos ou se estamos a deixar ficar alguém para trás. No âmbito dessa pergunta principal as questões da diversidade não podiam ser esquecidas.

A diversidade é aqui entendida na sua mais ampla dimensão, a dimensão de tudo o que é diferente, que se desvia do padrão, da maioria, do que determina o caminho, a velocidade, o ponto de partida e o de chegada. São as diferenças de género, de raça, de credo, de geração, de nível social, que gostaríamos de trazer para o debate. Numa sociedade que cresce assustadoramente para se transformar numa comunidade global, são as lideranças que devem ter uma consciência clara e uma visão ambivalente da sociedade, procurando soluções integradoras e humanizantes das organizações.

Essa consciência clara e visão alargada da realidade deve inspirar práticas que não deixem de fora quem é diferente. Ser diferente é a expressão plena da nossa singular condição. Não há um molde único, uma forma onde caibamos todos, e é nessa diferença que reside o futuro. Para fazer igual, em série, obedecendo a um padrão, temos a preciosa ajuda da tecnologia. Para fazer diferente, de forma imprevisível, temos os homens, todos eles, na sua singular diversidade.

Lembro-me sempre da distinção kantiana entre o que é belo e o que é sublime, e parece-me uma metáfora perfeita para resgatar o homem da alucinante caminhada tecnológica. O belo diz respeito à forma dos objetos que é caracterizada pela sua limitação. No sublime não falamos de um objeto limitado formalmente, mas de informalidade, de ilimitado. No belo falamos de objetos inúteis, no sublime falamos de sentido de universalidade, de totalidade.

O deslumbramento que sentimos com a realidade que construímos é da ordem do belo, da ordem do sublime é tudo o resto onde a diversidade, a informalidade e a singularidade da nossa existência acontecem.

Se o belo traz o sujeito ao centro da problemática do sentir, o sublime abre uma porta para que, através das diversas faculdades, se dê o milagre de existir. Sem pretensões ontológicas ou epistemológicas, Kant, através da analítica do belo e do sublime, acaba por trazer ao sujeito a possibilidade de universalizar a sua singular existência, dando-lhe contornos quase divinos e criadores.

É assim que olho para a diversidade, como a possibilidade de tornar a liderança sublime.

Por: Catarina G. Barosa, diretora editorial da revista Líder

Artigos Relacionados: