Liderança é retórica, o resto é conversa

Por: Edson Athayde, CEO & diretor criativo da FCB Lisboa

Cito Oscar Wilde: “Tudo no mundo é sobre sexo. Exceto o sexo. Sexo é sobre poder”.
Parafraseio: Tudo no mundo é sobre narrativas. Exceto as narrativas. Ter as narrativas sobre controle é a base de todas as formas de poder.
Somos moldados pelo que cremos. Somos comandados pelos ouvidos. Se estamos à beira do precipício e o líder diz que precisamos ir em frente, vamos. Se não formos é porque o líder não é o líder.
Fico surpreso sempre que descubro que o que escrevi nos parágrafos acima não é considerado por todos do mais absoluto senso comum. Não é.
O mundo corporativo ainda lida mal com a atual “sociedade da conversação”.
No topo da pirâmide empresarial é comum encontrar quem ainda imagina que a base vai acreditar e respeitar tudo o que disser. Não vai.
Se antes, um memorando do presidente da companhia tinha o peso de uma tábua dos dez mandamentos, hoje não vale o papel onde está impresso (literalmente, já vi uma comunicação interna de uma empresa ser ridicularizada pelos funcionários justamente por ser posta a circular em papel, algo considerado anacrónico e pouco ecológico).
Na sociedade da conversação todos ralham e ninguém tem razão. Tudo é questionado, comentado, desconstruído. E o pior: a liderança das narrativas não respeita organigramas.
A visão do estafeta pode sobrepor-se à do CEO. A senhora do café pode ser a pitonisa do departamento financeiro. O estagiário pode ter mais tempo de antena no 5.º andar do que o chefe dos Recursos Humanos.
Esqueça a dicotomia “líder carismático x chefe ditador”. Isso é coisa da década de 80 do século passado. A questão hoje é se o líder tem ou não capacidade de captar a atenção e angariar a aceitação para as suas narrativas.
Se a resposta for sim, parabéns, siga para bingo. Já se a resposta for não…
Ou como diria o meu Tio Olavo: “Liderança é retórica, o resto é conversa”.

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