Leituras

Por: Miguel Pina e Cunha, diretor

O mercado dos livros tem sido tomado de assalto pelas obras dedicadas ao futuro tecnológico e às tecnologias do futuro. Uma das contribuições a destacar tem origem local: Mentes Digitais (IST, 2017), o livro de Arlindo Oliveira, presidente do Instituto Superior Técnico. O autor é entrevistado nesta edição da Líder. A entrevista deve servir para aguçar o interesse por esta obra. Aqui apenas se sublinha a importância de discutir a forma como a tecnologia nos vai ajudar a desenhar o trabalho, as organizações, a sociedade e o próprio significado do que é “humano”. Perde-se tanto tempo a discutir a espuma dos dias que, por vezes, é preciso pegar em livros que nos permitem parar e interrogar o futuro. Como este.

Uma forma de interrogar o futuro passa naturalmente pelo estudo do passado. Uma das ideias incontornáveis trabalhadas no passado é a virtude. Se Aristóteles escreveu algumas das mais importantes palavras para o estudo da liderança, Pedro Rosa Ferro traz o tema para a atualidade no seu trabalho Virtude Política (Almedina, 2017). Trata-se de uma questão central para as sociedades num tempo em que regressou o fascínio por líderes políticos pouco virtuosos. Um líder virtuoso é um humano, não um santo. Pedro Rosa Ferro traz a questão da virtude em discussão e merece ser saudado por isso. O livro interessa naturalmente a todos os líderes, pois toda a liderança é política.

Um must para este leitor é todo o novo livro de Robert Sutton, professor de liderança em Stanford. Sutton voltou ao local do crime e depois de The No Asshole Rule regressou agora com The Asshole Survival Guide (Portfolio, 2017). Trata-se de um manual sobre como lidar com uma importante categoria de chefes: os cretinos. O chefe cretino é uma espécie abundante. Uns chefes são cretinos por disposição, outros por contingência e outros ainda por defesa. A lição que retiro deste livro: o cretino não é necessariamente o outro. Controlar o cretino que potencialmente temos em nós é a primeira das virtudes de um chefe.

Finalmente, ainda não lido mas já encomendado e recomendado à confiança: Dying for a paycheck (Harper, 2018), de Jeffrey Pfeffer. Pfeffer é colega e coautor de Sutton. Nos anos recentes tem-se dedicado ao estudo das consequências da má gestão para a saúde. O seu trabalho de investigação é rigoroso e relevante. O livro promete ser uma contribuição importante para gestores e decisores políticos, porque a boa gestão protege a saúde pública.

Termino hoje com a mensagem lida num saco encontrado na Bertrand em troco de uma moeda de euro: ler pode prejudicar gravemente a ignorância. Num tempo de fake news e de notícias de um parágrafo, essa é uma verdade que importa recordar.

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