Leadership networks: a próxima realidade

Por: Ricardo Vargas, CEO da Consulting House

A Ciência é lenta. Demorámos 500 anos para realizar a ideia do submarino de Da Vinci, cem para o táxi voador e a videochamada, imaginados em 1900, e levaremos milénios a implementar uma esfera de Dyson. Algumas áreas tecnológicas aceleram, ultrapassando a sua ficção. Mas isto sempre aconteceu. Manipulámos os genes de animais e plantas antes de a Ciência saber que havia genes. No geral, a ficção corre mais rápido.
A Ciência é lenta porque é construída por uma rede global de investigadores sem liderança estruturada. Partilham método, metodologias e instrumentos para entender como a realidade acontece. Podem até partilhar temas, mas a Ciência fundamental não tem um objetivo final a atingir.
A tecnologia desenvolve-se mais rápido que a Ciência fundamental porque é desenhada com propósitos, e é construída sobre Ciência aplicada. Tem objetivos, prazos, recursos e organizações específicas para os atingir.
Os mesmos princípios podem ser usados para (re)desenhar negócios. Podemos usar redes independentes de equipas de stakeholders e ligá-las através de propósito(s). Podemos animá-las com processos de liderança emergente para alinhar ações locais com objetivos globais. E podemos apoiar o processo de desenvolvimento subjacente com plataformas e ferramentas de aprendizagem que o acelerem, dado que todo o progresso é baseado em conhecimento.
As leadership networks são uma forma de organização que descentraliza tudo exceto o propósito a atingir. Seja ele: substituir um produto estrela, desenvolver novos mercados ou redesenhar a organização, podemos implementar leadership networks para ultrapassar qualquer estrutura centralizada em processos de inovação. Ao empoderar leadership networks para emergirem e atacar a tarefa, as empresas exploram a inteligência coletiva dos seus stakeholders com uma estrutura flexível que se adapta à complexidade do contexto interno e externo. As leadership networks estão ainda na infância, tal como todos os nossos empreendimentos quando comparados com a sua ficção.

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