Já chegámos ao futuro?

Estamos a viver uma das maiores revoluções da humanidade – não sei se, no contexto, esta está a ser mais profunda do que a descoberta da Agricultura ou a Revolução Industrial – e apesar de todo o conhecimento e tecnologia ao nosso dispor, falhamos muito na previsão do futuro.

O tema agora é a Inteligência Artificial e a substituição de humanos por máquinas. Até onde poderemos ir? E, mais pertinente: até onde devemos ir e a que velocidade? Não sabemos, ninguém sabe.

Ficaram famosas pequenas previsões feitas por gente esclarecida que, sabemos hoje, falharam redondamente.

Por exemplo, em 1981, Bill Gates disse que ninguém alguma vez teria necessidade de mais de 640 KBytes de memória no seu computador pessoal – o laptop onde escrevo este texto tem 13 mil vezes essa capacidade.

E mais tarde, em 1998, o Nobel da Economia Paul Krugman diria que “lá por 2005, ficará claro que o impacto da Internet na economia não foi maior do que o impacto do fax”.

Estas e outras previsões mostram que nem mesmo aqueles que estão a ajudar a escrever o futuro, conhecem o guião para além da página que os ocupa em cada momento.

Ninguém tem verdadeiramente o comando da nave – empresas, investigadores, cientistas, governos, reguladores –, que segue o seu caminho numa certa anarquia feita dos contributos de milhões.

Todos os dias, somos surpreendidos por pequenas grandes mudanças que, pouco tempo depois, já fazem parte das nossas vidas como se sempre tivessem existido.

Para o bem e para o mal, é imensa a capacidade humana de assimilação e de adaptação à mudança e à inovação. Isso pode tornar-nos vítimas de nós próprios, mas só o saberemos mais tarde. Não seria a primeira vez que acontece e só há uma resposta para ela: a humanização crescente das nossas vidas e relações, pessoais ou profissionais. Pode parecer contraditório nesta era da tecnologia em que já nos viciámos, mas é nesse equilíbrio que jogamos a qualidade do nosso futuro.

Por: Paulo Ferreira, partner da True Stories

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