Iremos juntos quando a autenticidade se sobrepuser ao “status quo”


Paula Oliveira, senior partner da SDO Consulting, respondeu à revista Líder sobre os grandes temas da Leadership Summit Portugal deste ano.
Deixando o tema da sua apresentação um mistério, Paula Oliveira fala da sua vontade de alterar o status quo e da importância da constante mudança em consultoria.

Qual a importância de estar presente na Leadership Summit Portugal?

Paula Oliveira (PO): Considero um dos eventos melhor calibrados entre estratégia e líderes, entre realidade e futuro. São temas com que me identifico e em que trabalho com alguma frequência.

O que podemos esperar da sua intervenção? O tema é, no mínimo, curioso: Leadership and The Story of the Oyster.

PO: É um tema para reflexão de todos, de alguma forma provocatório. Se os líderes saírem da sala a pensar se são uma ostra, uma pérola, ou uma substância estranha, o meu objetivo foi cumprido. Como líder, penso na primeira pessoa. Quando coloco em causa a vivencia quotidiana de um líder nas organizações, estou a colocar-me a mim também em causa. Se não nos questionarmos e assumirmos as nossas vulnerabilidades, não conseguimos evoluir nem inovar. E agora não quero ir mais longe no tema, para não quebrar o suspense.

E como responderia à grande questão da cimeira: Are We Going Together?

PO: Are we Going Together é tão vasto e genérico! Quem? As pessoas e a tecnologia? Os líderes? Os líderes de diferentes negócios ou os líderes de diversos níveis? Nós Portugal ou nós o mundo? Acho que nos fóruns próprios manifestamos uma abertura e coesão que depois na realidade não existe. Ainda nos fechamos e protegemos nas nossas ostras, sem partilhar informação nem interesses. Não assumimos os nossos erros de forma a poder partilhar essas experiências adicionando valor ao “WE”. Já se partilham sucessos, de forma resumida, onde é reservado o direito sobre o processo. Acho que estas são variáveis a ponderar antes de responder à vossa pergunta.
Poderemos um dia caminhar juntos quando deixarmos de lado algumas crenças e hábitos culturalmente portugueses, e despretensiosamente abrirmos as portas ao desconforto. Iremos juntos quando a autenticidade se sobrepuser ao status quo.

Na SDO, qual tem sido o principal desafio na constante transformação digital? Como é possível estar sempre em metamorfose?

PO: Em consultoria, a metamorfose é um lugar comum. Somos organismos mutantes que se têm de adaptar constantemente aos diversos contextos em que atuamos, sejam os setores, sejam as empresas, sejam os interlocutores. A transformação digital é a grande alavanca do nosso negócio, em que conseguimos deixar o processo e pensar na estratégia. Os processos e o digital são aliados na evolução, para um futuro sustentável. Implica rever as competências críticas, implica alterar paradigmas, comportamentos e posicionamento. Implica capacidade de investimento.

Para si, quais são as capacidades que um jovem de hoje tem de ter para enfrentar o mundo do trabalho agora e no futuro?

PO: Versatilidade, resiliência, curiosidade intelectual, coragem e competitividade.

Como CEO, quem são as pessoas que inspiram o seu estilo de liderança?

PO: As pessoas inteligentes, globais, que dizem coisas que não fazem sentido, que me desafiam e questionam. Que se encontram da forma mais imprevista.

Let them experience and fail, to grow in that process. Quão importante é este passo na liderança num mundo onde somos rápidos a despedir?

PO: Não sei se somos rápidos a despedir, acho que as pessoas é que se despedem com cada vez maior facilidade. A gestão do erro é cara. Mas é fundamental. Se tivermos reservas quanto a errar, desenvolvemos o receio de arriscar e sem arriscar não há inovação. Liderança sem risco é um fracasso. Temos de viver nesta tentativa de equilíbrio “risco vs. custos” para sobrevivermos na competitividade.

Num mundo cada vez mais veloz como é que a SDO capta e mantém os seus talentos?

PO: Quando as pessoas são desafiadas e se envolvem intrinsecamente nos projetos, não pensam em mudar. Há momentos em que conseguimos proporcionar isso, outros em que não. Nós estamos a aprender a viver com a rotação, a aprender a tirar partido das diferentes pessoas que por nós vão passando, e não gastar muitas energias a inventar formas de as manter. Acreditamos num futuro em que a mais-valia vem da diversidade de pessoas que passam por nós.

Quais são os desafios da empresa para o futuro?

PO: Pensar diferente dos outros. Desafiar o status quo. Dizer aos nossos clientes aquilo que eles por vezes não querem ouvir, e ainda assim manter o negócio!

A SDO acredita que o segredo está na imperfeição, ou pelo menos aceitá-la como fator distintivo e potenciador. Como?

PO: Nós falamos nas imperfeições porque valorizamos a autenticidade. Ao sermos autênticos, assumir vulnerabilidades, estarmos seguros e confiantes com as nossas características, seremos coerentes e credíveis. Julgo que a seriedade e profundidade da nossa oferta será a nossa garantia para o futuro.

A Paula é uma mulher a liderar uma empresa. Sentiu alguma vez alguns constrangimentos, limitações pelo facto de ser uma mulher ao leme?

PO: Não. Quando estamos cientes e seguros do que nos propomos fazer, isso é reconhecido pelos outros e o género deixa de ser um fator relevante. Talvez o caminho a percorrer para se transmitir essa firmeza tenha mais “testes” do que se fosse um homem, mas isso são suposições, porque nunca saberei a resposta.

Qual é a sua maior ambição, sonho?

PO: Contribuir para uma sociedade verdadeira, onde as vulnerabilidades são aceites como as diferenças que nos fazem reinventar.

Artigos Relacionados:

Centro de preferências de privacidade

    Cookies necessários

    Publicamos cookies neste site para analisar o tráfego, memorizar as suas preferências, otimizar a sua experiência e apresentar anúncios.

    PHPSESSID, __gads, _ga, _gid, gdpr[allowed_cookies], gdpr[consent_types], wordpress_test_cookie, woocommerce_cart_hash, woocommerce_items_in_cart, _gat_gtag_UA_114875312_1
    IDE
    __cfduid