Inovação social: uma oportunidade para Portugal

No passado mês de março, o Hub de Lisboa dos Global Shapers discutiu o tema da inovação social na nossa série de FNAC Shaper Talks. A sessão foi moderada pelo Global Shaper António Miguel, managing director da MAZE – decoding impact. A sessão contou com a presença da Global Shaper Inês Santos Silva e com o convidado de honra Luís Jerónimo, da Fundação Calouste Gulbenkian.

A sessão focou-se no tópico emergente da inovação social, como proponente de novas e mais eficientes soluções para problemas sociais atuais. Inicialmente, a discussão abordou os elementos distintivos da inovação social, como o enfoque no impacto intencional, na sua medição e na correlação positiva entre criação de impacto e atividades de geração de receitas. Foi interessante como ambos os convidados, com a evolução da discussão, stressaram a importância de debater outras variáveis importantes que são cruciais para inovação social, mas não exclusivamente: o papel da tecnologia e do financiamento de risco.

O investimento em impacto está a sair das margens para a realidade global. Os profissionais devem aproveitar seu potencial, mas estando cientes de que o financiamento é um meio para um fim: implantar soluções eficazes para resolver problemas sociais.

Quanto à tecnologia, houve um forte alinhamento no papel de capacitação que as novas tecnologias têm na criação de impacto social. O uso da tecnologia na abordagem de questões sociais tem aumentado nos últimos anos em Portugal. Um exemplo disso é a SPEAK, uma plataforma web online que promove a inclusão social de migrantes e refugiados, que nasceu em Leiria e está agora presente em Portugal e em novos países como a Alemanha, Itália e Espanha.

Quanto ao financiamento de risco, os convidados concordaram que Portugal tem defendido a adoção de instrumentos inovadores, como títulos de impacto social (mecanismos baseados em resultados onde o retorno financeiro dos investidores está vinculado à obtenção de resultados sociais), esquemas de garantias para condições mais favoráveis e outros instrumentos híbridos. O Governo Português tem apoiado este movimento e foi pioneiro na utilização dos Fundos Estruturais da UE para a inovação social, tornando-se o primeiro Estado-Membro da UE a fazê-lo, abrindo caminho para outros.

A sessão terminou com os oradores a fornecer uma agenda prospetiva para a inovação social em Portugal. O denominador comum foi a oportunidade única que o nosso país tem na implementação de medidas inovadoras e usar a sua dimensão menor como vantagem competitiva: os números absolutos dos problemas sociais em Portugal são grandes o suficiente para afetar o tecido da nossa sociedade, mas também pequenos o suficiente para serem erradicados. Se a inovação social quiser corresponder às suas expectativas, pode encontrar um bom teste em Portugal.

A transmissão da Fnac Shaper Talk no Facebook pode ser vista AQUI.

Por: António Miguel, fundador do Laboratório de Investimento Social (uma associação sem fins lucrativos que promove novas formas de financiamento e capacitação para projetos de inovação social) e professor de Microfinance and Impact Investing na Nova SBE

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