Influenciar no mundo do trabalho digital

Muito se tem debatido sobre as enormes possibilidades de criação de valor num mundo cada vez mais digital, globalizado e intercultural. O poder da cocriação num contexto empresarial em que as vantagens competitivas se volatilizam com uma rapidez cada vez maior, fruto da circulação de informação e da imitação, levam ao constante apelo a uma gestão pós-capitalista baseada na diversidade das equipas e na combinação de valências variadas.

O primado da diversidade cognitiva, da tolerância ao que é diferente e disruptivo, do encorajamento à inovação feita num contexto de liberdade de pensamento e criatividade, fazem antever momentos emocionantes de mudança, em que a tecnologia e o digital, as redes e o social, são enablers indispensáveis desse processo de colaboração à escala global.

Mas um dos debates mais quentes que têm surgido recentemente prende-se precisamente com o facto dos dados de crescimento e de produtividade não confirmarem esta tendência otimista. O crescimento tem sido moderado e os ganhos de produtividade marginais, apesar do advento da tecnologia como acelerador e potenciador dessa mesma produtividade e desse mesmo crescimento.

E aqui surge o poder da influência. A liderança das organizações e das equipas que as compõem, são produto de pessoas que, tendo na ponta dos seus dedos o poder do digital, seja em amplitude de influência seja em rapidez de reação, só gera maior produtividade se for bem aplicada. E o problema surge muitas vezes porque a velocidade com que a tecnologia evolui não é acompanhada pela velocidade com que as culturas e crenças evoluem.

Quando temos, por exemplo, tecnologia que nos permite colaborar remotamente, de nada nos serve isso se os líderes continuarem a padecer da “síndroma do presenteísmo” (a crença de que as pessoas só estão a trabalhar quando estão presentes no local de trabalho). Quando temos soluções de comunicação e colaboração tão simples e potentes como o WhatsApp, elas só gerarão resultados se abraçarmos o paradigma da liberdade e responsabilização, em vez de insistirmos no paradigma da supervisão e controlo. De facto, se eu tiver o meu chefe a perguntar-me de cinco em cinco minutos, seja a que horas for, como vai o trabalho e se eu vou cumprir o prazo, em vez de ser uma fonte de motivação, a tecnologia torna-se uma fonte de ruído, frustração e desmotivação.

Sim, o digital ajuda (e muito) os líderes no seu exercício de influência. Resta saber se as mentalidades dos mesmos estão preparadas para as novas formas de trabalhar que daí emergem. Porque se não estiverem, a tecnologia apenas amplia os defeitos, limitações e disfuncionalidades das velhas formas de trabalhar.

A maior limitação ou perigo não está na tecnologia, mas sim nas nossas mentes… Vamos refletir nisto? A SDO Consulting orgulha-se de ajudar a transformar organizações para o novo paradigma digital, trabalhando cultura, liderança e pessoas. Respeitando o poder da singularidade das pessoas, seres imperfeitos que, por isso mesmo, buscam o progresso constante. We dare. Do you?

Por: Ricardo Fortes da Costa, managing partner da SDO Consulting Portugal

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