“Happy Conference” celebra dez anos com Tal Ben-Shahar


Na próxima quarta-feira, dia 20 de março, o Teatro Tivoli BBVA abre portas à Happy Conference, com um programa inclusivo e positivo que tem como objetivo fortalecer relações no seio das organizações e no dia-a-dia de cada indivíduo, a título pessoal e coletivo.
Para assinalar o marco dos dez anos, a Happy Conference 2019 traz novamente a solo português um orador muito especial: Tal Ben-Shahar. O reconhecido professor de Harvard, escritor e autor, sobe ao palco do Tivoli para uma intervenção desenhada para abordar tópicos do desenvolvimento de lideranças de impacto, o conceito de “10 X Leaders” e o modelo de multiplicadores de desempenho “SHARP” (Pontos Fortes, Saúde, Foco, Relações e Propósito). O programa é baseado nos conteúdos da sua mais recente obra literária designada de The Joy Of Leadership, escrita em coautoria com Angus Ridgway.

Será o sucesso uma questão de felicidade?

A maioria das pessoas acredita que o sucesso levará à felicidade. O seu modelo mental é: Sucesso (causa) e Felicidade (efeito). Mas a maioria das pessoas está errada. Sabemos, com base em muitas pesquisas, que o sucesso, na melhor das hipóteses, leva a um aumento dos níveis de felicidade, mas o pico é temporário, de curta duração.
Enquanto o sucesso não leva ao bem-estar, o oposto é o caso: Sucesso (efeito) e Felicidade (causa). Esta é uma descoberta muito importante, que transforma a relação de causa e efeito corrigindo a percepção errada que muitas pessoas têm. A razão para isso é que, quando experimentamos emoções aprazíveis, somos mais criativos, mais motivados, construímos melhores relacionamentos e somos fisicamente mais saudáveis. Aqueles que não entendem a relação entre o sucesso e a felicidade perseguem o primeiro modelo, ficando inevitavelmente desapontados e frustrados.

Acredita que a procura pela felicidade está a deixar-nos infelizes?

Há pesquisas que sugerem que aqueles que valorizam a procura da felicidade, para quem a felicidade é importante, têm maior probabilidade de estar sozinhos – uma característica que está intimamente ligada à depressão e à infelicidade. Então, precisamos de mentir a nós próprios e dizer que, na verdade, a felicidade não é importante para nós, mesmo sabendo de todos os seus benefícios? O autoengano é o caminho a seguir? Ou negligenciar a felicidade, ignorando a sua importância, é a melhor opção? Nenhuma opção – autoengano ou negligência – é a resposta.
A resolução do paradoxo reside na necessidade de procurar a felicidade indiretamente – por outras palavras, procurar o que levaria à felicidade. Em 1800, o filósofo britânico John Stuart Mill argumentou que “aqueles que são apenas felizes têm as suas mentes fixas em algum outro objetivo além da sua própria felicidade”. Qual seria esse outro objetivo além da sua própria felicidade? Prosseguir o significado, cultivar relacionamentos, exercitar-se regularmente e assim por diante.

Como pode um líder conciliar demandas pessoais e profissionais? Quais são as ferramentas que podem ajudar?

A primeira coisa que um líder precisa para tomar decisões sensatas – seja a nível pessoal ou profissional – é tempo. Especificamente, os líderes precisam de tempo para refletir sobre os seus valores, sobre o que realmente lhes importa e como gostariam que as suas vidas fossem. Eles podem decidir que trabalhar 15 horas por dia é certo, e isso está bem. Ou podem decidir que passar mais tempo com a sua família é importante para eles, analisando o que podem fazer para alcançar essa mudança. Nem sempre é possível ter o tipo de vida que queremos, mas na maioria das vezes é nossa a escolha de como gastamos o nosso tempo. As escolhas de equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal nunca são fáceis, porque inevitavelmente temos de desistir de algo. Infelizmente, não podemos ter tudo. O que ajuda as pessoas a tomar essas decisões é procurar a opção boa o suficiente em vez da solução perfeita. Desejaria – para mim e para os outros – que existisse uma solução perfeita, mas isso não acontece. Às vezes tem de haver compromissos, e cada pessoa deve decidir o que isso implicará para si.

No seu livro The Joy of Leadership, propõe um modelo de liderança baseado na convicção de que liderança eficaz é evolução pessoal. Porque será a evolução pessoal tão importante para os líderes?

Por causa da conexão entre felicidade e sucesso, as condições que levam à evolução pessoal são as condições que levam a uma liderança eficaz. Hoje, as contribuições mais importantes que um líder pode trazer para uma organização incluem inovação, inspiração, energia e positividade. Um líder feliz é muito mais propenso a implementá-las na sua organização do que um líder infeliz.

O que é que torna os melhores líderes naquilo que são? E como podemos ser “10 X Leaders”?

Os líderes podem implementar certas práticas nas suas vidas e atingir níveis mais elevados de desempenho e bem-estar, para si e para os seus funcionários. Podem tornar-se no que chamamos de “Líderes 10 X”. Aqui estão as cinco principais características:

  1. Forças. Concentrar-se nos seus pontos fortes produz muito melhor desempenho e satisfação no trabalho do que concentrar-se nas suas fraquezas. Isso não significa ignorar as suas fraquezas, que geralmente precisam de ser geridas. Ao mesmo tempo, para cumprir o nosso potencial, é melhor gastarmos mais tempo com os nossos pontos fortes.
  2. Saúde. Concentrar-se na saúde física – nutrição, exercícios e recuperação – é essencial para otimizar o desempenho e a experiência.
  3. Absorção. Vivemos numa era de distração e o preço que os indivíduos e as organizações pagam por esse estado é elevado. Estar presente, envolvido em tudo o que estamos a fazer, geralmente faz a diferença entre o melhor e o resto.
  4. Relacionamentos. Embora historicamente os relacionamentos no local de trabalho dependam amplamente do poder e influência, hoje as organizações líderes possuem relacionamentos construídos sobre positividade e autenticidade.
  5. Propósito. Encontrar um propósito nas experiências do dia-a-dia é importante para um desempenho sustentado. Sem propósito, um indivíduo e uma organização perdem força. O propósito é o combustível que impulsiona o desempenho.

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