H2H a nova molécula

Muitas críticas têm sido feitas às diferentes abordagens terapêuticas na saúde. Por um lado, a medicina alternativa que, na visão da medicina moderna, é encarada como perigosa, aportando com ela um conjunto de incongruências e crenças sem qualquer validade científica. Por outro, a medicina moderna que, do ponto de vista da medicina alternativa, servindo os interesses da indústria farmacêutica, não consegue resolver os problemas de forma cirúrgica aplicando a mesma receita a indivíduos diferentes.
Apesar destas discussões, que são e serão constantes, um estudo encomendado pela União Europeia, de novembro 2015, confirma que 43,7% dos portugueses procuraram ajuda junto da medicina alternativa para resolver o seu problema de saúde. Também, a OMS no seu plano estratégico para acompanhamento das medicinas tradicionais (alternativas) para 2014-2023 demonstra que a medicina tradicional, como mercado, está em crescente expansão (só em 2012 cresceu mais 20% que em 2011), não só pelo aumento da procura por parte dos utilizadores finais, mas também no reconhecimento formal por parte dos estados (103 dos 110 países membros da OMS reconhecem formalmente a medicina tradicional/alternativa).
Paralelamente, a crescente digitalização tem contribuído para que a medicina moderna avance com soluções mais eficientes junto do doente. Não fosse o caso de, por exemplo, através de uma app e de uma selfie já se conseguir despistar o cancro do pâncreas, o mais mortífero com apenas uma taxa de 9% de sobrevivência após cinco anos. Ou, o Dr. Google que consegue dar diagnósticos com elevada confiança através de algoritmos que captam os sintomas reportados por milhões de doentes pelo mundo.
Ao mesmo tempo, e se observarmos a tendência de comportamentos, cada vez mais são as pessoas que procuram atuar na sua saúde de forma preventiva através da adoção de comportamentos mais sustentáveis, contribuindo, igualmente, com uma pegada ecológica mais baixa. Esta é a nova moda! Poder ir de transportes públicos ou bicicleta para o trabalho, comer biológico, fazer desporto, reciclar, viver livre de fumo e drogas e, sobretudo, ter experiências únicas e pessoais.
Chegou o Human 2 Human (H2H) para substituir o Business 2 Consumer (B2C), em geral, e na saúde em particular. Há, portanto, a necessidade de nos adaptarmos a esta mudança real e concreta.
Deste modo, há uma adaptação que deve acontecer em todas as partes. Por um lado, a medicina moderna deve adaptar a sua oferta, compreendendo o caminho de quem serve e não apenas disponibilizando as soluções standard à procura de doentes para essas mesmas soluções. Ao mesmo tempo, a Indústria Farmacêutica terá de evoluir neste sentido e colocar em marcha soluções que tenham em conta não só a satisfação dos seus clientes, mas também a satisfação dos utilizadores finais dos seus produtos. Terão, portanto, de criar soluções tendo por base estes novos indicadores que começam a ganhar relevância. Por outro lado, a medicina alternativa tem de definir a sua estratégia para conseguir direcionar melhor a sua oferta, encontrando soluções mais interessantes para quem procura ajuda.
Assim sendo, o H2H é a nova molécula da humanidade e, seguramente, quem a patentear mais rápido estará mais apto para viver neste mercado.

Por: André Salgado, consultor na WINNING Scientific Management

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