Gestão feminina está a crescer nas microempresas

A percentagem de mulheres em lugares de gestão e direção nas empresas portuguesas aumentou cinco pontos percentuais nos últimos cinco anos. Este crescimento tem apresentado alguma consistência nos anos recentes, mas a sua lentidão resulta numa situação ainda longe da paridade de género na gestão e liderança.
No entanto, na 8.ª edição do estudo Participação feminina na gestão das empresas em Portugal da Informa D&B procurámos saber com mais detalhe a tipologia das empresas onde está mais presente a participação feminina na gestão e encontrámos duas realidades: por um lado, as microempresas, onde as mulheres estão a ganhar relevância e, por outro, as PME e as grandes empresas, onde a sua participação ao nível da gestão se vai reduzindo à medida que aumenta a dimensão da empresa.
Quando separamos as microempresas das restantes empresas não pretendemos apenas encontrar uma curiosidade demográfica: estas microempresas representam, por um lado, uns esmagadores 95% da totalidade das empresas nacionais e, por outro, é o segmento onde se encontram as tendências de mudança mais significativas.
Há um aumento significativo de mulheres na criação de novas empresas e na condução de negócios de pequena dimensão e quase um terço das microempresas são geridas por mulheres. Estamos a falar de empresas com uma média de 219 mil euros de volume de negócios e quatro empregados, e onde o gestor e o dono do capital são habitualmente a mesma pessoa (88% dos casos). As microempresas reúnem também a grande maioria (83%) dos poderes de decisão do tecido empresarial nacional e a gestão é na sua quase totalidade representada pela função de gerência.
Os setores que concentram a maioria destes pequenos negócios são os que têm uma maior percentagem de mulheres em cargos de gestão – Serviços, com 37%, e Retalho, com 34%. Dentro dos Serviços, destacam-se as áreas de Beleza, Educação e Saúde. Com menor percentagem de gestores femininos nos pequenos negócios estão os setores das Telecomunicações, da Construção e o setor do Gás, Eletricidade e Água.
Nas pequenas, médias e grandes empresas, a participação feminina em cargos de gestão regista uma tendência também positiva, mas o aumento continua a ser marginal. Como tal, o desequilíbrio de género mantém-se nos cargos de gestão/administração e nas funções de direção executiva e acentua-se à medida que aumenta a dimensão das empresas.
Com volumes de negócio superiores e maior número de empregados, estas empresas têm estruturas de gestão mais complexas e com mais elementos, incluindo direções de 1.ª linha. Nas pequenas empresas, 24,2% dos cargos de gestão/administração são ocupados por mulheres, número que desce para 19,2% nas médias empresas e para os 14,7% nas grandes empresas.
Nos cargos de direção de 1.ª linha, pouco mais de um quarto (27%) são ocupados por mulheres. Nestes cargos, a paridade apenas se regista no cargo de diretor de Recursos Humanos, uma área que assume cada vez mais importância nas organizações num contexto de transformação digital do mundo empresarial. A direção de Qualidade/Técnica assume também um maior número de cargos femininos do que masculinos. No extremo oposto, apenas 10% dos cargos de direção-geral são ocupados por mulheres.
A maior evolução regista-se nas empresas cotadas em Bolsa. Apesar de serem aquelas em que a presença feminina nos conselhos de administração é mais baixa, apresentam atualmente um valor (12,2%) que quase duplicou nos últimos seis anos.
Entre as empresas cotadas analisadas, apenas cinco já atingiram os 33,3% de mulheres nos conselhos de administração, valor obrigatório por lei para 2020. Seis empresas têm entre 20% e 33,3% de mulheres e 14 têm menos de 20%. Em quase metade das empresas cotadas (19 empresas) não existe qualquer mulher nos conselhos de administração.

Para obter mais informações sobre o estudo Participação feminina na gestão das empresas em Portugal da Informa D&B, clique AQUI.


Por: Teresa Cardoso de Menezes, diretora-geral da Informa D&B

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