“Follow the Leader, Leader, Leader” – ser mobilizado ou seguidor?

Unir as pessoas num sentido comum é sempre um desafio. É um desafio porque cada pessoa tem um nível de perceção diferente, a sua “hidden agenda” e os seus próprios objetivos e motivações.

A minha experiência de liderança é transversal, tanto em setores orientados para o negócio, como na área social. Hoje tratarei aqui da área social num primeiro nível e num segundo nível do negócio.

Na área social, mobilizar as pessoas para um objetivo comum é, por um lado, simples, já que todas as pessoas que conheço gostam de ser bons cidadãos, contribuir e ajudar, no entanto, até que ponto estão mesmo mobilizadas para um objetivo (que no nosso caso, no caso da associação a que pertenço, é a promoção dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável)? É aqui que surge a linha que separa a pessoa que se mobiliza e a pessoa que segue. Na verdade, a ONGD (Organização Não Governamental para o Desenvolvimento) a que pertenço terá muitos seguidores e não necessariamente pessoas mobilizadas, “engaged” com a organização.

Há umas semanas colocávamos nas redes sociais da ONGD um post que dizia: “Procuramos voluntários para dar apoio à ONGD”. De facto, surgiram de todos os locais, pessoas que se identificavam com a missão que temos em promover os direitos humanos, mas com um enorme grau de curiosidade e baixo de compromisso. De fazer notar que as pessoas que se comprometeram estão agora a trabalhar connosco e são cerca de 12.

Ora então, temos pessoas mobilizadas ou seguidores? Diria que, em grande medida, seguidores.

Lembro-me de ter sido eleita, em 2001, na cidade de Viena de Áustria, presidente da Direção Internacional da ELSA – The European Law Students’ Association e de ter lutado afincadamente pelo direito ao lugar. Sim, porque segundo os votantes dos países escandinavos, Portugal tem muita vontade e pouca realização. Será que é mesmo este o facto?

Oriento-me agora para o negócio. Na verdade, considero que muita vontade e pouca ação encontramos muitas vezes em alguns setores e organizações da economia social, mas não nas empresas que zelam pela sua cultura organizacional. Então, no setor empresarial português encontramos vontade e ação, ainda que por vezes lhes falte a sua estruturação e perceção de valor.

O que distingue estas duas realidades? Uma tem uma gestão de pessoas feita não só por profissionais, mas por voluntários (na verdade voluntários-profissionais e profissionais-voluntários), enquanto o negócio é feito por profissionais (que poderão ou não ser voluntários fora das suas empresas).

No negócio, as pessoas assumem (ou é suposto que assumam) um compromisso intrínseco com o lucro da organização e esse compromisso está implícito e explícito nas suas ações. Aqui, temos (ou não) pessoas mobilizadas e em menor número temos seguidores. Simplesmente porque uma empresa e um negócio não prosperam apenas ao viver de seguidores.

Os líderes de uma organização social terão sempre de desenvolver mais algumas competências de comunicação orientada para a sensibilidade e muitas vezes para o bom senso das pessoas (e o bom senso, por ser bom, nem toda a gente o tem). Terá de ser um líder agilizador de consciências e, ao mesmo tempo, com a tranquilidade necessária para aceitar uma falta de um voluntário mais descomprometido e ter de fazer ele próprio o “step up” para um determinado projeto.

Nas organizações orientadas para o negócio, o mesmo poderá acontecer, mas as consequências de um colaborador que não está “engaged” com a empresa são mais devastadoras.

E nós, queremos ser mobilizados e mobilizadores ou apenas seguidores?

Disclaimer 1: a minha compreensão da realidade portuguesa do 3.º sector é em organizações até 50 colaboradores em que uma fatia dos recursos humanos é voluntária.
Disclaimer 2: adoro o que faço na ONGD (sou voluntária) e estou completamente mobilizada para a ação.
Disclaimer 3: já fui seguidora (sendo colaboradora) de uma empresa.

Por: Anabela Moreira, responsável de formação da Centralmed, entrepreneur, coach, facilitadora de aprendizagens e mudanças

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