Experiências Imersivas, experiências que nos deixam marcas

As formações, os eventos, as dinâmicas ou os teambuildings, há muito que têm vindo a alterar os seus formatos, adaptando-se sempre e constantemente aos pedidos dos clientes. “Algo diferente de tudo o que já vi”, “Inovador”, “Disruptivo”, “Sem ser mais do mesmo”, são expressões ou pedidos com que, certamente, já todos se depararam. A estas junto outra expressão mais recente: “uma experiência imersiva” – termo que introduzimos no mercado e com o qual todos estão, felizmente, cada vez mais familiarizados.
São muitas as organizações que, atualmente, procuram soluções para conseguirem realizar estes momentos, com vista ao desenvolvimento dos seus colaboradores, que sejam efetivamente diferenciadoras no seu formato, mas, sobretudo, no seu impacto. Soluções que promovam a reflexão, a forma de pensar e até a mudança de comportamento. Soluções impactantes que marquem as pessoas.
E foi a partir daqui que nasceu a ideia de criar uma empresa que pudesse proporcionar algo diferente. As empresas investiam bastante no desenvolvimento das suas pessoas, mas invariavelmente concluíam que pouco ou nada mudava nos colaboradores e na organização. E isso “incomodou-me”, sobretudo, no início da minha carreira em que acreditava ser possível mudar o mundo.
Em 2010 decidimos criar um conceito que fosse simultaneamente inovador e life changer, porque, de facto, existe uma diferença entre tirar um curso de inglês durante seis meses num instituto em Lisboa, ou ir viver seis meses para Londres. Sabíamos que mergulhar as pessoas em contextos disruptivos na sua vida era diferenciador, a palavra “imersão” era a que melhor traduzia essa situação e deu nome à nossa marca: Immersis. Ficaríamos assim, para sempre, ligados à expressão que nos batizou, promovendo experiências de alto impacto, mas que tenham sempre um forte propósito pedagógico.

As experiências imersivas
Podemos dizer que uma experiência imersiva é uma técnica experiencial que consiste em transformar os projetos de desenvolvimento em verdadeiros enredos, protagonizados pelos colaboradores, sendo convidados a viver uma experiência absorvente e paralela à sua vida quotidiana. É uma experiência que pode consistir numa situação da vida real ou não.
Este é o tipo de experiência que envolve os participantes num contexto inesperado, disruptivo e que gera um conjunto de sensações e emoções, sendo a chave para absorverem avidamente as mensagens pretendidas. E é por este motivo que o impacto de uma experiência imersiva no desenvolvimento dos colaboradores de uma empresa faz todo o sentido, podendo ser aplicada em contextos de formação profissional ou apenas em eventos corporativos.
A forma mais eficaz que encontrámos até hoje para explicar o que é uma experiência imersiva é esta: lembra-se do filme The Game? Agora imagine que encarna o papel do Michael Douglas e vive uma experiência que marca a sua vida, que muda a sua forma de pensar e os seus comportamentos. É isso.

Alguns exemplos:
O momento em que mais de 200 pessoas participam numa inesperada masterclass de karaté, onde são convidados a realizar uma kata, onde aprendem o significado do kiai e onde têm a missão de quebrar um obstáculo real com as suas próprias mãos. “Hajime” – ordena em japonês o mestre Jaime Torres – e à sua voz de comando todos tomam a decisão e desferem o golpe final. Kiai!
Esta experiência imersiva deixa algumas marcas nos participantes, umas são mais físicas, mas outras são apenas psicológicas. O poderoso debrief que é realizado no final conduz a uma reflexão profunda sobre o tema da confiança e relaciona essas marcas com a atitude dos participantes face à mudança e às suas barreiras naturais: para conseguirem superá-las terão de estar preparados tecnicamente, terão de estar focados e terão de acreditar que vão conseguir quebrá-las – que marcas vão ficar nesse processo?
Mas será suficiente agir ao nível da motivação dos colaboradores para promover o seu desenvolvimento e, consequentemente, a mudança organizacional? Não. Mas, sem ela, o processo de desenvolvimento também, simplesmente, não acontecerá. E em algumas áreas isso é impensável.
Talvez com um outro exemplo tudo se torne mais claro.
Imagine que gere uma equipa de técnicos de terapia ocupacional numa residência de luxo para seniores e que tem em mãos um projeto de formação em técnicas de reanimação. A formação aconteceu em sala, foi baseada na apresentação de slides e decorreu de forma muito dinâmica. Todos os formandos avaliaram a sessão de forma excecional e os seus conhecimentos foram medidos, com resultados muito elevados!
Seria expectável que agora, simplesmente, aguardássemos para ver a capacidade destes formandos colocarem em prática o que aprenderam? E se fosse um familiar seu quem precisasse de ser reanimado por um deles? Se a resposta parece ser evidente para o exemplo aqui apresentado, por que motivo deverá ser diferente para outras temáticas técnicas ou comportamentais? Serão menos importantes?
Imagine agora e mais uma vez, que os seus dados pessoais foram geridos à margem do novo regulamento da UE e que, de repente, se vê no meio de um excitante “jogo da vida real” onde vive inúmeras peripécias em torno do roubo da sua identidade! Um projeto que nos levaria a perceber a importância e a urgência em implementar e cumprir estes novos procedimentos na nossa organização… imagina?
Em suma, todas as temáticas, de cariz técnico ou comportamental, nas organizações, podem ser alvo de uma experiência imersiva, uma vez que todas elas visam a adoção de novas ações ou atitudes por parte dos seus colaboradores, sendo esse o aspeto central trabalhado por cada experiência.

Por: Carlos Moreira, sócio fundador da Immersis

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