Empresas portuguesas abaixo da média europeia na aplicação de IA

A Inteligência Artificial (IA) está cá para ficar. A Microsoft trabalha com esta tecnologia há já vários anos, mas tornou-se mais claro, nos dias de hoje, que o ritmo a que progride não tem precedentes.

O impacto que a IA pode ter no planeta, nas pessoas e nos negócios torna-a uma força poderosa – para ser compreendida e abraçada. É verdadeiramente inspirador ver como pode melhorar o diagnóstico de doenças, na Saúde; acelerar a inovação em organizações; e transformar administrações públicas e o serviço ao cliente e ao cidadão – sendo que as áreas de otimização de operações e relação com os clientes são já das mais avançadas.

Para melhor compreender o nosso mercado e medir o desenvolvimento desta área nos negócios e quais as expectativas dos nossos gestores, a Microsoft comissionou um estudo à consultora EY, em 15 mercados europeus, com mais de 300 empresas respondentes, cerca de 10% das quais de Portugal. Foi muito interessante perceber que no nosso país as organizações priorizam a Inteligência Artificial um pouco mais do que a média europeia e, apesar de, em Portugal, as empresas estarem abaixo da média em termos de maturidade das soluções de IA, a expectativa e esperança dos executivos é significativamente alta, mesmo em setores mais conservadores como a Indústria, Transportes, Energia ou Construção. Embora a maioria das organizações esteja ainda na fase de implementação de projetos-piloto, o impacto esperado é muito elevado quer no core do negócio, quer em novos produtos que surjam como resultado da aplicação de soluções de Inteligência Artificial.

Esta é uma tecnologia que, embora ainda a aparecer timidamente nos planos das organizações, já se imiscuiu na nossa realidade. É a solução de base nas nossas assistentes virtuais, nos telemóveis, nos carros em que nos movemos de casa para o trabalho, nos edifícios inteligentes que ocupamos, nos supermercados onde fazemos compras. Está em todo o lado. Segundo a Gartner, o valor de negócio gerado por IA vai mais que triplicar – de 1,2 triliões de dólares, em 2018, para 3,9 triliões em 2022 e as organizações que a integrarem nos planos estratégicos farão um investimento com retorno, que garantirá crescimento económico e oportunidades.

Mas pensar a Inteligência Artificial tem muitas vertentes. Enquanto empresa tecnológica, desenhar uma IA que seja de confiança implica criar soluções que reflitam princípios éticos bem fundados em valores intemporais. Para a Microsoft há princípios alienáveis, como a justiça – com sistemas de IA que devem tratar toda a gente de forma justa; a inclusão – com sistemas de IA que capacitem e integrem toda a gente; a confiança e segurança; a transparência – com sistemas que sejam compreensíveis; a privacidade e a responsabilidade – com sistemas integrados com algoritmos que permitam a responsabilização sobre a tecnologia.

Este estudo – a definição de princípios claros que norteiem a nossa atividade – ajuda-nos a oferecer soluções que se propõem a ajudar o mundo a tornar-se mais justo e equilibrado, e permite-nos sensibilizar as organizações para a necessidade de abraçar esta tecnologia enquanto potenciadora do engenho e da capacidade humana. Estes dados e outros insights significativos e relevantes estão disponíveis para todas as organizações que melhor se querem preparar para a mais disruptiva vaga de tecnologia.

Por: Paula Panarra, diretora-geral da Microsoft Portugal

Artigos Relacionados: