Em que fase do processo de transformação digital se encontra?

Quantos de nós assistimos a filmes de ficção científica nos anos 80, que hoje se tornaram uma realidade possível? Quantos filmes da mesma natureza são produzidos hoje em dia que nos criam o “medo” de que os robôs assumam personalidades maléficas e acabem com os humanos? Toda a ficção que envolve evolução digital suscita desconforto, insegurança e alguma ansiedade. Sentimentos antagónicos; criamos algo que nos causa medo.

Nós, humanos, imperfeitos, emotivos e sensíveis, seremos os líderes do movimento digital e tecnológico. É através das nossas necessidades e exigências que a evolução irá acontecer. Somos nós que tomamos as decisões. A evolução será no sentido de cada vez sermos mais críticos em relação ao que queremos e/ou não queremos, automatizar. O digital começou por ocupar o espaço da nossa imaturidade, ignorância e inconsequência. Disponibilizávamos dados descontroladamente, deixámos que invadissem os nossos telemóveis e computadores e que entrassem pelas nossas casas dentro. Hoje, ganhámos consciência e responsabilidade.

Para nós, SDO, o ciclo é:

  1. NECESSIDADE

A velocidade a que operamos, a rapidez exigida pelos clientes, o nível de exigência dos consumidores, a qualidade crescente exigida aos serviços, o nível de agilidade necessário à sobrevivência: são estes os ativadores da necessidade da revolução tecnológica.

  1. CURIOSIDADE

Até onde é que a tecnologia responde às nossas necessidades? Que caminhos existem por explorar? Até onde podemos ir? Que ferramentas existem? Quem trabalha neste meio? O que está a acontecer nestas áreas?

  1. DESCOBERTA

A fase em que descobrimos que há plataformas, ferramentas e instrumentos infindáveis que podem agilizar o nosso negócio de forma fenomenal. Há muito mais opções que imaginaríamos há alguns anos atrás; a capacidade de resposta às necessidades das empresas é imensa. Existem inúmeras oportunidades a explorar.

  1. DESLUMBRAMENTO

Esta é a fase do “eu quero”; após a descoberta do infinito de opções, começamos a querer digitalizar tudo. Queremos digitalizar os processos, os CRM, a gestão de pessoas, de equipas, os feedbacks… de repente, queremos que a nossa agenda se resolva diariamente à distância de um clique. Achamos que com um bom “briefing” a um programador, o nosso problema está resolvido. E queremos que todos os nossos “temas” sejam passíveis de passar a “briefings”.

  1. ENTENDIMENTO

Quando percebemos que os nossos “briefings” exigem um nível de detalhe elevado, que exigem de certa forma uma dose de clarividência… e que cada vez que acrescentamos alguma variável ao nosso raciocínio isso gera todo um novo ciclo de transações. Quando de facto entendemos como funciona o processo de transformação tecnológica.

  1. CONSCENCIALIZAÇÃO

O mercado em que operamos está em que fase da digitalização? Os nossos clientes estão preparados para a digitalização? Querem essa automação? Quais os processos que podem ser automatizados? Quais as áreas que reúnem as condições para avançar? Temos capacidade de investimento? Temos disponibilidade de tempo por parte das equipas? Este é o momento em que nos apercebemos que temos de nos focar, definir prioridades e áreas específicas a automatizar; tomada de consciência do tempo que irá ser consumido pelas equipas na definição dos “briefings”. Reconhecer o desgaste pessoal e custo financeiro.

  1. RESPONSABILIZAÇÃO

Fase da tomada de decisão e gestão dos impactos. O impacto que cada uma desta decisões tem no contexto financeiro, humano, social e económico. Que resultados sustentáveis gera para o negócio? Em Portugal, a população idosa tem vindo a aumentar e prevê-se que este aumento se mantenha nas próximas décadas. A par deste facto temos o decréscimo da população jovem, um fenómeno demográfico que é uma condicionante pouco discutida nestes fóruns tecnológicos. Se, por um lado, podemos utilizar a tecnologia para prologar a vida humana com maior qualidade, por outro, temos de antever que grande parte do emprego é ocupado por pessoas que dificilmente poderão ser reconvertidas para funções mais tecnológicas. Que a substituição de tarefas rotineiras pela robotização terá um impacto brutal nos índices de desemprego e um custo financeiro incomportável ao Estado. Até que ponto é socialmente responsável afirmarmos que o digital assumiu a liderança do nosso desenvolvimento?

  1. DOMÍNIO

Fase em que a tecnologia gera resultados. Fase em que o retorno do investimento é reconhecido como positivo. Fase em que se reconhece o controlo de todo o processo. E porquê inserir esta fase como um último passo? Porque constatamos que, em diversos casos, o processo fica incompleto, em que temos toda uma empresa a trabalhar para o processo de transformação digital e não a transformação digital a trabalhar para a empresa.

Se utilizarmos este ciclo para avaliar em que fase se encontra cada uma das empresas em processo de transformação digital, iremos compreender melhor a coexistência de vários ritmos, várias esferas, várias velocidades. Não podemos generalizar o fenómeno da digitalização, mas seguramente devemos posicionar-nos como líderes do processo e beneficiário último dos resultados do mesmo. Na SDO acreditamos que é no nosso lado mais autêntico, mais humano, que reside o domínio do processo.

Por: Paula Oliveira, CEO da SDO Consulting

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