É necessário assumirmos os desafios juntos

Trabalhei para o Ministério dos Negócios Estrangeiros Sueco durante 30 anos, metade do tempo em diferentes lugares de gestão. Quando era uma jovem diplomata havia poucas mulheres como modelo a seguir, enquanto embaixadoras. Para mim, uma delas era a Embaixadora Kerstin Asp Johnson que foi Embaixadora da Suécia em Portugal de 1994 a 1997. Ela também foi Diretora do Programa de Formação de Diplomatas, que foi a posição que desempenhei antes de vir para Portugal, há dois anos. Uma tarefa muito inspiradora. Hoje, o equilíbrio de género no Ministério dos Negócios Estrangeiros está perto dos 50-50 e a geração de jovens diplomatas é diferente. Isto é encorajador. A igualdade de género e o equilibro vida-trabalho parecem ser os valores nucleares, tanto para os jovens rapazes como para jovens mulheres. No entanto, os desafios permanecem e ainda acredito que os modelos de conduta são importantes. Tanto os homens como as mulheres precisam de modelos de conduta, e não menos quando se trata de género e do equilibro vida-trabalho. E da compreensão de que não se pode fazer tudo ao mesmo tempo na vida. No entanto, as crianças crescem. Coisas inesperadas acontecem. Novos desafios e possibilidades surgem.

O mundo complexo de hoje requer, na minha opinião, estilos de liderança e processos decisórios mais racionais, abertos e inclusivos. Isto pode ser também um modo de pensar e trabalhar tipicamente nórdico. Informal, baseado no consenso, com organizações horizontais e em continua busca de melhoria. Por isso, sim, é necessário assumirmos os desafios juntos. Assumirmos a responsabilidade a diferentes níveis. Individual, local, nacional e global. Networking e aprendizagem mútua são elementos importantes. A forma como muitos jovens estão envolvidos no desafio, ou crise climática hoje é um exemplo. Os social media desempenham um papel chave, a par dos meios mais antiquados para partilhar e mostrar a opinião de cada um. Ninguém pode fazer tudo. Mas todos podem – e devem – fazer alguma coisa.

Por: Helena Pilsas Ahlin, Embaixadora da Suécia em Portugal

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