Desporto que une

Peyongchang, Coreia do Sul, ano 2018, 2922 atletas, 92 países participantes, 102 eventos desportivos, o slogan: “Passion.Connected” e um acontecimento que ficará para sempre marcado nos livros de história de ambas as Coreias.

No dia 09 de fevereiro de 2018, atletas da Coreia do Sul e da Coreia do Norte desfilaram juntos na cerimónia de abertura da vigésima terceira edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. A equipa feminina de Hóquei no Gelo era inclusive composta por atletas dos dois países, gesto considerado pelo The New York Times como a mais marcante reconciliação das duas nações na última década.

O desporto como ferramenta política não era um cenário sem precedentes. Em 1995, Nelson Mandela viu no Rugby a oportunidade de unir um país dividido pela questão racial. Os Springboks, seleção nacional de Rugby da África do Sul, eram conhecidos pelos “White Team” (o nome diz muito sobre quem apoiava essa equipa e quem não no país), mas quando Mandela utilizou um chapéu dos Springboks demonstrou a toda a África do Sul a importância de apoiar um país e não uma simples equipa. Pelas suas palavras: “O desporto tem o poder de mudar o mundo, tem o poder de inspirar, tem o poder de unir as pessoas, o desporto é a língua que os jovens compreendem. Através do desporto criamos esperança onde muitas vezes existe descrença, consegue quebrar barreiras raciais mais eficazmente que a grande maioria dos governos”.

Como linguagem universal é inquestionável: as aprendizagens nas áreas da liderança, espírito de equipa, fair-play, resiliência e busca pela perfeição, são apenas alguns dos exemplos de um legado que nos permite ter ferramentas aplicáveis ao longo do nosso percurso de vida, independentemente do contexto político, económico e social em que estejamos inseridos.

Enquanto escrevo, o atleta Jorge Fonseca (Judo, na categoria de -100kg) sagrou-se campeão do mundo na sua modalidade. Num país pequeno, lutou contra um cancro, teve uma infância difícil e disse que quando chegasse a Portugal queria ser recebido em festa pelos portugueses, porque sabe que quando se tem um país inteiro a “torcer”, a coragem fica mais fácil. Não a coragem de nos atirarmos de um avião, de uma prancha dos dez metros, mas sim a verdadeira coragem, a de um verdadeiro líder, a coragem de assumirmos um compromisso connosco em que não desistimos dos nossos sonhos. O Jorge é um exemplo que enche de esperança quem se atreve a sonhar. Não falte ao próximo jogo!

Por: Diogo Ganchinho, atleta do Sporting Clube de Portugal, na modalidade de ginástica de trampolim

Artigos Relacionados: