Conduzir e ser conduzido não é um paradoxo, é uma metáfora de liderança

Leaders in Cars é um projeto que pretende levar líderes para fora do seu contexto profissional e criar um novo ambiente onde emoção e razão vão estar a funcionar em simultâneo. Nesse novo ambiente, desenvolve-se uma conversa sobre liderança onde são partilhadas experiências pessoais, profissionais, visões do mundo, medos e angústias. Todos sabem que estão a ser conduzidos e conduzem um carro para falarem sobre liderança, para partilharem os seus conhecimentos e as suas ideias. A metáfora de conduzir e ser conduzido diz-nos muito sobre liderança. Afinal, não será exatamente isso? Conduzir. Será que os líderes se sentem bem quando são conduzidos ou preferem estar sempre ao volante?

Foram oito os pioneiros deste projeto e as entrevistas fazem parte integrante deste livro: Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais; Paulo Rosado, CEO da Outsystems; João Vasconcelos, empresário; Cristina Rodrigues, CEO da Capgemini Portugal; Joana Garoupa, diretora de marketing da Galp; Guta Moura Guedes, presidente da Experimenta Design; Nuno Troni, diretor da Randstad Portugal; e Carlos Barbosa, presidente do ACP.

A conduzir o carro e as entrevistas esteve Anabela Chastre, coach e autora de livros sobre auto-liderança.

Os pioneiros foram convidados para uma conversa ao volante de um Audi A7. Essas conversas deram origem a uma curta-metragem exibida na Leadership Summit Portugal 2018, a oito filmes que serão semanalmente exibidos neste site, e fazem, ainda, parte do livro How Fast Can We Go? – O papel do líder na transformação digital, também lançado na referida cimeira.

Se numa primeira etapa da viagem os líderes assumiam a função de copilotos em que a sua preocupação exclusiva era desfrutar da paisagem e da conversa, na segunda parte assumiram a emoção da condução.

São essencialmente lições e inspirações de liderança que queremos oferecer a quem vê ou lê estas conversas. Os nossos entrevistados surpreenderam-nos com as suas ideias e determinação, a sua visão acutilante do futuro e a sua boa disposição.

 

“(…) estou a estudar liderança na administração pública, muito concretamente versando um tipo de liderança: Servant Leadership. Esta é a vontade que eu sinto, a de servir humildemente a minha terra, o meu país. Ou seja, criar um impacto positivo na vida das pessoas.” Miguel Pinto Luz

 

 

“Toda esta área de Inteligência Artificial, na prática, é apenas mais um passo no processo de automação e de remoção do trabalho chato, do trabalho repetitivo, do trabalho desmotivador, e que no fundo traz-nos para aquilo que nós éramos há vinte e cinco mil anos. Nós, nessa altura, não trabalhávamos, o trabalho é uma coisa inventada a partir do momento em que se criou a agricultura. O trabalho é uma coisa artificial e nós não estamos preparados para ele.” Paulo Rosado

 

 

“Fico muito desconfortável com a quantidade de mulheres que há na liderança e no mundo empresarial. É um escândalo, no século XXI, o número irrisório de mulheres, e isso tem várias razões, e as principais razões estão nos homens, não estão nelas.” João Vasconcelos

 

 

 

“Gerir na retaguarda quando há sucessos, chegar-me à frente quando há perigos. Isto para um líder é muito difícil de fazer, nem todos conseguem fazê-lo, porque querem exatamente estar à frente quando têm sucesso, mas retirar-se e não dar a cara pelos fracassos. Isso eu não faço.” Cristina Rodrigues

 

 

 

“Hoje conseguimos mensurar e saber exatamente quantos estudantes temos em Portugal, por região, por curso, por ano. Portanto, hoje eu consigo saber quantos alunos é que vão saber de Economia, em Lisboa, no Porto ou no país todo, nos próximos, dois ou nos próximos três anos.” Nuno Troni

 

 

 

“Eu tenho perfeita consciência de que muitas das coisas que fiz, se fosse mais receosa, ou se fosse mais insegura – porque o medo traz acima de tudo insegurança –, não as teria feito: não teria ido a muitos sítios, não teria tomado muitas decisões, não teria procurado muitas das coisas que procurei.” Guta Moura Guedes

 

 

 

“Na lógica multigeracional o grande desafio é ter a comunicação suportada em diversos meios. Se tiver uma fábrica, vou querer ter sempre um jornal interno em papel, porque é isso que as pessoas querem, mas ao mesmo tempo vou ter uma app onde coloco notícias, porque só chego aos mais novos assim. É preciso garantir que tenho as ferramentas adequadas para chegar às várias gerações.” Joana Garoupa

 

 

“Eu acho que no futuro os carros vão ser os híbridos plug-in, acho que não vão ser os elétricos. Para se ter uma ideia, em 2040 vamos ter dois biliões de carros a circular no mundo inteiro e apenas 12% serão elétricos, e destes 12% grande parte é porque a China está numa grande revolução tecnológica em relação ao ambiente e, portanto, tem de ter efetivamente a eletrificação dos seus carros.” Carlos Barbosa

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