Como será o profissional do futuro?

Atravessamos uma época de profunda competitividade entre mercados e organizações, pelo que o desenvolvimento de competências sociais constitui-se como o processo de maior importância para o desenvolvimento de profissionais que se possam diferenciar e permitir a diferenciação das organizações em que estão inseridos.
De acordo com diferentes estudos¹ recentemente publicados, nos próximos anos vão acontecer diversas mudanças socioeconómicas, geopolíticas e demográficas, e estas terão impacto direto no universo laboral. Vão desaparecer algumas profissões e irão nascer outras. Os diversos relatórios² que analisam o emprego, os profissionais e as competências, concluem que grande parte dos novos modelos de profissionalização estão ligados às competências sociais dos seres humanos, nomeadamente aquelas que são impossíveis de serem replicadas ou executadas por máquinas. No âmbito desses estudos, as competências identificadas como sendo imprescindíveis a qualquer profissional são, sobretudo: capacidade para a resolução de problemas complexos; pensamento crítico; criatividade; gestão de pessoas; capacidade de coordenação com outros; inteligência emocional; capacidade de julgamento e de tomada de decisão; orientação para o serviço; capacidade de negociação e flexibilidade cognitiva.
Estes estudos permitem-nos concluir que o profissional do futuro tem de sintetizar, no seu perfil, a capacidade de aliar as capacidades analíticas e científicas, à criatividade e à inteligência emocional. Mas a aplicação de métodos científicos e de processos criativos e disruptivos são conceitos que não se integram, tradicionalmente, de forma simultânea nas organizações. Aos “cientistas” são sobretudo solicitadas atividades sistemáticas, de caráter lógico e racional. Dos “criativos” espera-se a intuição e a desconstrução permanente dos conceitos racionais. Paralelamente, a inteligência emocional constitui-se como uma das soft skills mais debatidas e procuradas no tecido empresarial, a nível global, atualmente.
E é neste espectro de três universos que, habitualmente, não interagem entre si, que reside uma ampla vantagem competitiva para as organizações. Uma interação interdependente entre razão, emoção, desconstrução, intuição e inteligência é absolutamente crítica para o sucesso das relações, quer ao nível profissional, quer ao nível empresarial. Um profissional que seja, simultaneamente, cientista, criativo e emocionalmente inteligente, assegurará as ferramentas e mecanismos que, verdadeiramente, acrescentam valor e diferenciação às organizações, pilar fundamental e reconhecido para a competitividade da economia. Esse é o perfil que permite reinventar, em permanência, os modelos de negócio das organizações, fator que assegura o sucesso contínuo e contribui para a competitividade nacional.

Por: Leandro Ferreira Pereira, CEO da WINNING Scientific Management e diretor do mestrado executivo em Gestão de Programas e Projetos no INDEG-IUL

 

 

 

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¹ The Future of Jobs: Employment, skills and workforce strategy for the fourth industrial revolution. (World Economic Forum, 2016)
² The Future of Skills: Employment in 2030. (Bakhshi, 2017)

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