Capitalismo Consciente – Uma nova revolução no mundo da gestão

Por: Sofia Costa Quintas, diretora executiva da Egor Alchemy

O Capitalismo Consciente é uma nova abordagem à condução dos negócios. São quatro os pilares que fundamentam este conceito:

  1. Um propósito que inspira a contribuir para uma sociedade melhor;
  2. Uma cultura organizacional assente na transparência;
  3. Uma liderança com consciência ética, atenta ao impacto das decisões no longo-prazo;
  4. Escolhas que beneficiam todos os stakeholders: colaboradores, consumidores, comunidade e investidores.

Esta nova realidade obriga a repensar modelos organizacionais em cinco eixos:

  1. Criar uma nova definição de rentabilidade;
  2. Explorar novas formas de capital e de geração de valor, recorrendo a números e algoritmos que não fazem parte do léxico tradicional;
  3. Trazer para a gestão, métricas que contemplam a saúde e o bem-estar dos indivíduos, comunidades e ecossistemas. Na obsessão do lucro pelo curto-prazo, o meio-ambiente e o bem-estar das pessoas não têm sido incorporados nos balanços contabilísticos, o que já provou ser um erro;
  4. Criar novos incentivos ao desempenho nas organizações, alinhados com os princípios da economia circular;
  5. Introduzir uma nova linguagem de gestão, eliminando as metáforas de guerra.

Será esta uma visão utópica? Para o bilionário inglês Richard Branson, empresários e executivos podem promover mais mudanças do que os políticos. Motivado por esta crença, criou o “B Team”, um grupo que reúne líderes empresariais globais, organizações não governamentais e empreendedores. Paul Polman, CEO da Unilever; Ratan Tata, do Grupo Tata; Arianna Huffinghton, fundadora do jornal online The Huffington Post; o Nobel da Paz Muhammad Yunus, fundador do banco de microcrédito Grameen; e a ex-ministra norueguesa, são algumas das personalidades que se juntaram a esta iniciativa. Eles uniram-se para sensibilizar governos e multinacionais a trocarem as metas de curto-prazo por estratégias que incorporem as preocupações socioambientais.
A Volans, consultora que trabalha na interseção da sustentabilidade, empreendedorismo e inovação, lançou agora uma nova medida de avaliação para as organizações: o “Quociente do Futuro” que visa avaliar o nível de preparação face ao futuro.
A maioria dos gestores, infelizmente, continua a viver de costas voltadas para este novo mundo, fruto dos programas curriculares de algumas escolas de gestão e das práticas empresariais ainda dominantes.
A palavra chave da era industrial foi “Eficiência”. Na nova economia, a orientação excessiva para a eficiência torna o sistema vulnerável. É necessário reinventar os processos em torno da adaptabilidade.
Precisamos de líderes orientados para o futuro, com coragem para assumir uma descontinuidade com o passado e movidos pelo sonho de deixar este mundo um lugar melhor para se viver. Chegou o momento de despertar do auto-piloto, promover uma maior colaboração entre a ciência e a espiritualidade, e aceitar a nossa condição humana que se alimenta da partilha.
Neste âmbito, recomendo a leitura atenta do livro The Power of Unreasonable People. Nesta obra, lançada em 2008, mas ainda muito atual, John Elkinghton, uma autoridade mundial na área do desenvolvimento sustentável, e Pamela Hartigan, uma referência no domínio do empreendedorismo social, reúnem dezenas de histórias inspiradoras que relatam os desafios de empreendedores pouco convencionais, que com a sua coragem, determinação e ousadia, ajudaram a resolver alguns dos maiores desafios económicos, sociais e ambientais que enfrentamos na era da globalização e da economia criativa. Ao longo de todo o livro, são muitos os exemplos práticos que ilustram o modo como estes empreendedores disruptivos estão a reinventar modelos de negócio tradicionais e a desafiar os modelos atuais. Através deles, aprendemos as qualidades de liderança necessárias num mundo em profunda transformação.

Artigos Relacionados: