As mulheres em ascenção: nada vai voltar a ser igual porque a onda é imparável!

As mulheres portuguesas são brilhantes e muito corajosas no geral, mas também demasiado tolerantes, permitindo situações que já não são passíveis de serem toleradas. Tenho-me apercebido que conseguem milagres, quando se dedicam ao empreendedorismo São criativas, ambiciosas e destemidas. Têm no seu ADN a capacidade de dar a volta a todas as situações adversas. Criam negócios das suas paixões e dos seus talentos. Não desistem e estão presentes, liderando sempre com a mão no leme. É-lhes reconhecida uma capacidade inesgotável de energia, capacidade essa que muitas vezes faz com que as empresas as mantenham nos lugares de gestão e não as levem à liderança porque são confiáveis para levar a obra a bom porto. As mulheres portuguesas deveriam ser um case study.

No entanto, o machismo de países latinos é ainda mais perigoso porque é escondido, ciumento e invejoso. Considero o machismo charmoso e simpático em Portugal, o maior impedimento ao avanço e desenvolvimento das mulheres nos negócios e na liderança. Não obstante os grandes avanços, o que é certo e incontestável é que os homens em Portugal estão sempre a controlar. É por isso, então, necessário compreender o sistema, fazer parte dele, mas não nos subordinarmos a ele e, acima de tudo, nunca perdermos a nossa energia, a capacidade de acreditar e a crença inabalável nas nossas capacidades.

A minha energia vem de acreditar que sei fazer, que consigo fazer, que tenho o direito de fazer e que, como tal, vou fazer. Nunca me preocupo (em demasia) com a opinião que outros têm de mim, mas sim com a imagem que transmito. Sempre me rodeei de pessoas que estão na mesma missão que eu e isso alimenta a minha energia que se renova diariamente.

Há duas frases que me acompanham quando os estereótipos surgem no meu caminho: a da Carrie Bradshaw de Sex and the City quando gozam com o facto de gostar de sapatos (um estereótipo feminino do meu carácter feminino que muito prazer me dá) – “O caminho de uma mulher já é tão complicado que se ela poder caminhar com sapatos bonitos tudo parece mais fácil”. E a outra frase é: “Be the kind of woman who, when your feet hit the floor in the morning, the devil says, ‘Oh No, She’s Up!’”.

As mulheres do nosso tempo criaram para si um padrão de excelência que é, muitas vezes, difícil de alcançar. O grau de tolerância de erro para os homens é muito maior do que para as mulheres. Mas elas contribuíram para isso. Elas estudam, trabalham a tempo inteiro, são gestoras do lar, são mães envolvidas e presentes, responsabilizam-se por pais e familiares de idade e, mesmo assim, arranjam tempo para ser bonitas, vistosas e, acima de tudo, generosas de espírito. Pois, mas tudo o que se leva ao extremo tem um preço. Muitas vezes, esta dedicação à perseguição da perfeição em todas as áreas resulta em cansaço extremo, e não conheço uma amiga que não se queixe desse problema. Ou, por extensão, sofre o casamento ou sofrem elas mesmas mais tarde.

A nossa sociedade ainda não apoia a mulher, nem na sua ambição profissional (bancos, seguradoras, etc.), nem no seu papel social, criando as condições para que ela tenha opções. A sociedade é injusta com elas e, muitas vezes, em vez de impulsionar uma mudança de mindset, acaba por forçar a mulher a adaptar-se. Ainda temos uma sociedade que chama “bossy” às mulheres afirmativas, por exemplo… Eu costumo responder que não, não sou “bossy”, tenho é capacidades de liderança!

Afinal, o que é preciso é redefinir o que é o sucesso. O sucesso é uma palavra que me fascina porque tem muitas caras. Para as mulheres, então, ainda mais. O sucesso para as mulheres não está ligado necessariamente ao lugar que ocupam nos negócios ou na empresa, mas a algo mais holístico. Conheço muitas líderes que não se consideram um sucesso porque a sua vida pessoal não correu bem. Mas se aqui limitarmos os parâmetros e nos focarmos no sucesso profissional, então, honestamente, considero que o sucesso consiste em estarmos onde queremos estar, termos chegado ao lugar onde imaginávamos chegar e continuarmos a querer ir mais além.

A vida ensinou-me que não me devo levar demasiado a sério, mas devo fazer tudo de uma forma séria. E o melhor que posso fazer é partilhar o sucesso com outros. O sucesso é conseguir tornar as minhas ideias em realidade, enquanto ganho o respeito daqueles que são mais importantes para mim. Em último grau, para a maior parte das mulheres, o sucesso é que os filhos e os pais tenham orgulho em nós. O mantra do sucesso profissional é frágil. Seja onde for que chegou, pode sempre ir mais longe.

E, no final de contas, as mulheres são excelentes líderes porque comunicam eficazmente, além de terem infinitamente mais paciência e resiliência que os homens. Os dois sexos têm virtudes complementares. Cada um tem capacidades e talentos únicos que servem a liderança. Há diferenças que se complementam. Numa organização liderada por uma mulher, a equipa, e especialmente a equipa das mulheres mais jovens, sente-se mais valorizada, mais reconhecida e mais confiante. Está documentado que as equipas geralmente aumentam a produtividade.

Quando se lidera tem de se ter um sentido estratégico de percurso, mas também de criação de equipas que partilham a missão. O que as mulheres conseguem com muito mais facilidade. Criam culturas de empowerment e tudo o resto encaixa de imediato.

Liderar de porta aberta e sem barreiras à comunicação. Focar nos drivers do negócio, ensinar a equipa a gerir e decidir sempre com justiça e objetividade. Criar uma cultura de fair play e encarar sempre os desafios de uma forma partilhada. Ou seja, encarar desafios e problemas, não com mentalidade de vítima e coitadinha, mas com um mindset de encontro da solução em equipa.

Estamos perante um novo feminismo

Estamos a testemunhar um feminist Spring! Os direitos das mulheres estão outra vez na frente de batalha… E já não era sem tempo! Estamos a testemunhar uma nova onda de feminismo que está a incendiar o mundo profissional. Há alguma coisa no ar, uma nova energia e um novo interesse nestes assuntos.

No Reino Unido, os grupos de mulheres profissionais triplicaram desde 2012. As mulheres estão em maioria nas universidades, nos lugares médios de gestão, e estão a tomar controlo dos seus corpos, das suas vozes, das oportunidades, dos valores e da liberdade que em muito resultam das novas tecnologias e das redes sociais. Hoje há mais interesse feminino nos media, na política, na indústria, etc. E não o estão a fazer imitando os homens, mas sim “in their way”!

Nem se tem conta do número de micro-movimentos de liderança que têm surgido. As mulheres ligaram o turbo. Exemplos disso são as artistas russas, Pussy Riot, o movimento “MeToo” e outros nomes que, hoje, todos conhecemos e que acordaram o mundo, como a Malala e tantos, tantos outros.

Com a conclusão de que os media vão cobrir o assunto, esta metodologia já foi adoptada pelo mundo, do México à Tunísia e à Alemanha. Estamos a viver momentos únicos. O ativismo de hoje é criativo, inclusivo e brinca de uma maneira séria para se tornar falado. Para as mulheres de hoje, isto parece o feminismo sobre o efeito de esteroides. A atitude é razoável e revolucionária. A Internet permitiu que o feminismo de hoje não seja de biblioteca, de gabinete ou de parlamento, mas sim de trompeta!

Estas mulheres vão levar-nos até ao próximo nível da viagem: um mundo que valoriza as mulheres, onde as mulheres que nascem sabem que vão ter as mesmas oportunidades e direitos de escolha, que aceitam os seus corpos, onde a violação é crime imperdoável e onde o ser humano é valorizado acima do dinheiro.

Por: Linda Pereira, diretora executiva da CPL Events

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