As cinco lições de liderança de La Casa de Papel

Com toda a certeza já ouviu falar da série La Casa de Papel, uma produção espanhola para a Netflix, que se tornou um êxito. Uma história simples e tão bem contada que nos conquista desde o primeiro minuto.
A história baseia-se num grupo de oito ladrões que tomam de assalto a Casa da Moeda de Espanha, com o objetivo de realizarem um grande assalto. Este foi minuciosamente estudado pelo “Professor”, a principal personagem da história, que, de acordo com as competências e habilidades necessárias para o efeito, recruta oito criminosos, cada um especialista numa determinada área. O objetivo é que se infiltrem na Casa durante o tempo necessário para imprimirem 2,4 mil milhões de euros e serem multimilionários.
No decorrer desta intensa história, as lições de La Casa de Papel sobre liderança são surpreendentes!

1) Conhecimento é poder
O Professor, executante deste gigantesco plano, estudou criteriosamente as relações com todas as partes envolvidas no assalto, as características, os movimentos e os comportamentos da polícia, dos reféns, da opinião pública e da própria equipa de assaltantes. Este conhecimento ajudou-o a antecipar situações e a prever os passos que teria de dar quando se deparasse com as mesmas. Um desses exemplos é quando a Inspetora Murillo, convicta de que encontraria algo comprometedor, o força a ir ao armazém da cidra. E mais não conto…
O mesmo se passa nas empresas, ter o máximo de conhecimento é importante, bem como estudar as relações com as diferentes partes, saber como atuam, para se poder antecipar os passos a tomar e ter um plano alternativo para os momentos de crise, caso seja necessário.

2) A escolha da equipa é fundamental para o sucesso
A diversidade da equipa que é reunida para a tomada da Casa da Moeda é uma das melhores lições contidas na série. O Professor escolhe com muito cuidado cada pessoa da equipa, cada um com um conhecimento específico em determinada tarefa, de forma a que se complementem e o resultado final seja o melhor.
Apesar das competências individuais serem importantes, é preciso manter a equipa a trabalhar como tal. E nem sempre é fácil, quando os ânimos se incendeiam e as reações não são as melhores. Temos um exemplo disso quando o Berlim ata a Tóquio a uma maca e a expulsa da Casa da Moeda, colocando-a nas mãos da polícia.
Um bom líder, para além de ter um cuidado especial na seleção da equipa, contemplando as capacidades individuais no todo, deve também ter a capacidade de gerir com prudência as diferentes personalidades e isso só se consegue com o domínio das emoções e uma assertividade presente nos momentos mais críticos. Tudo isto, mantendo sempre a motivação da equipa.

3) Investir no planeamento é essencial
Planear é essencial para que um projeto tenha sucesso. O Professor reuniu a equipa, cinco meses antes do assalto, para lhe apresentar detalhe a detalhe, o projeto. Dessa forma, os objetivos ficaram claros, cada um sabia a sua missão e como o seu trabalho encaixava no trabalho dos outros. Para além disso, foram pensados vários cenários, identificados possíveis obstáculos e estudadas, em conjunto, formas de os ultrapassar, sem que comprometessem o objetivo final. Um exemplo disso é quando a Tóquio está a ser transportada para o estabelecimento prisional e se recordou das palavras do Professor: “Eu nunca te vou falhar”. E não falhou!
O líder deve fazer o mesmo com a sua equipa, privilegiar o planeamento antes de agir, para que tudo dê certo e, acima de tudo, garantir à equipa que estará presente nos momentos mais difíceis.

4) A formação tem de ser uma prioridade
Tão importante quanto preparar a ação é simular a mesma, para que, desta forma, os elementos tenham uma resposta rápida ao acontecimento. Durante os meses da formação, o Professor foi preparando a equipa através de criação de exemplos de situações reais, com perguntas que os faziam pensar para além do óbvio e recorrendo a metáforas para que mais facilmente chegassem à resposta. Num ambiente empresarial, é importante que os colaboradores passem por este processo formativo, que se preparem através de simulações para o que vão lidar. Um bom líder não deve deixar a formação da equipa para segundo plano, correndo o risco de falhar totalmente no alcance dos objetivos.

5) Imprevistos acontecem
Neste plano, como em qualquer outro, é inevitável que aconteçam imprevistos. Lamentar e não fazer nada para os resolver pode ser perda de tempo. É preciso aceitá-los e integrá-los da melhor maneira no plano, para que tudo continue a correr como previsto. O Professor não esperava apaixonar-se pela Inspetora, mas aconteceu! Se na história estes momentos são de viragem e representam um pico dramático, nas equipas também. O líder deve estar preparado para não deixar cair a equipa na desmotivação quando os imprevistos acontecem, levando-os a mudar a perspetiva e a verem o lado positivo da situação, mesmo que naquela altura não seja totalmente evidente. Afinal, quem sabe, se de um imprevisto resulta um final feliz!
Boas lideranças!

Por: Anabela Chastre, coach | speaker | trainer

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