Os sete desafios de António Saraiva para a economia portuguesa


O presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal foi o orador convidado do almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal, que decorreu ontem, dia 05 de junho, no Hotel Double Tree by Hilton, em Lisboa, sob o tema “Empresas, empresários/gestores e os seus desafios futuros”.

Para António Saraiva, o mundo deixou de ser bipolar para se transformar em multipolar, com continentes cada vez mais ricos e outros cada vez menos desenvolvidos, o que provoca galopantes desigualdades sociais, o aparecimento dos nacionalismos e o crescimento das migrações. Na sua opinião, a democracia é demasiado condescendente com as formas não democráticas de governo que têm surgido, referindo mesmo que “muitos quadros constitucionais contêm, em si mesmos, as sementes da destruição democrática”.

Atualmente, na Europa, superficialmente, tudo aparenta estar bem, mas na realidade existe uma enorme “falta de liderança, ausência de estratégia, crise de valores”, o que está a causar um “retrocesso no projeto europeu”.

Em Portugal, “o aumento contínuo da taxa de abstenção, atingindo um nível que considero altamente preocupante, é um sintoma de uma doença que enfraquece e corrói a nossa democracia”, refere o representante dos patrões, acrescentando que “os partidos políticos, fechando-se sobre si próprios e focando-se nas suas querelas internas, perderam dinâmica, deixaram de ser motores da sociedade; à força de formularem promessas e teimarem em garantias que não podem simplesmente ser cumpridas, foram perdendo credibilidade”.

Face ao panorama apresentado, António Saraiva lançou sete desafios à economia do país, que passam por:

      1. colocar Portugal a crescer mais que 3% ao ano, “estimulando a competitividade fiscal, já que estamos com uma carga de esforço fiscal 19% acima da média europeia”;
      2. aumentar o nível das exportações e diversificar mercados, pois “75% do volume de exportações destina-se à Europa, a qual tem crescimentos anémicos”;
      3. promover a inovação e estimular o intercâmbio entre as empresas e as universidades;
      4. garantir a coesão social e territorial, “promovendo uma política de natalidade e de atração de emigração qualificada”;
      5. reduzir a dívida pública para 100% num prazo de cinco anos;
      6. desenvolver uma política industrial para o século XXI;
      7. melhorar a qualidade dos decisores políticos, pois é urgente “tratar das próximas gerações e não das próximas eleições”.

No final da intervenção, o presidente da CIP deixou, ainda, um alerta a propósito do condicionamento que a tecnologia está a provocar à sociedade mundial. “Infelizmente, temos permitido que o vírus da ignorância alastre dentro das nossas sociedades. Nunca estivemos tão ligados e simultaneamente tão sós. Relacionamo-nos com o mundo através de um telefone ou de um computador. As máquinas estão a substituir as relações entre humanos. E fora do contexto das redes sociais, as relações com os outros perderam valor e sentido, ganharam distância e frieza. O outro passou a ser visto como estranho, o estranho como intruso e o intruso como inimigo”.

Artigos Relacionados: